terça-feira, julho 09, 2002

DOS FETICHES...

Fomos dar uma volta e ela decidiu comprar um espartilho vermelho, meias sete oitavos com renda na coxa e calcinha com zíper na frente. Vestiu, ficou lindo. Ainda vimos algemas de mentirinha com velcro e coleira para dominação. Ela cogitou prender o namorado dessa forma. Botei pilha pra ela levar, mas acabou desistindo da idéia.
Havia máscaras de todos os jeitos: mulher gato, vermelha básica, negra feito a do Zorro. Ainda nos deliciamos com as milhões de fantasias penduradas: Pedrita ou mulher das cavernas, Mulher Maravilha, empregadinha, enfermeira, country, noivinha. Confesso que gosto dos pretos, do vinil, daquilo que vejo como poder. Negro. Um tule, uma renda, uma fenda, uma transparência...os fetiches que povoam o imaginário...
Ela ainda queria levar luvas vermelhas, mas a vendedora fez uma cara triste e disse que não tinha mais no estoque, mas que chegariam ainda esta semana. Ela mostrou ainda outras camisolas, baby-dolls, macaquinhos, vestidos tipo combinação, e um festival de cuecas divertidas: feito elefantinho, com uma tromba apropriada para o dito cujo; básica tipo shortinho de algodão; com tule do lado; e disse que também tinha imitando couro, de vinil, os chamados cuecões de couro. Não teve como não gargalhar.
Entramos e nem nos demos conta do nome da loja. Ao final entregou-nos cartõezinhos e disse que poderíamos acessar o site e conhecer outros modelos. Chama-se Oitavo Pecado. E eu ingenuamente falei: oitavo?! Ela riu e disse: não existem os sete? Pois, então, pensando no que mexe com nosso imaginário e libido, decidi por mais um nessa conta.
Conhecemos o Oitavo Pecado, que não tem nada de capital, é pura provocação ao desejo, é lugar onde não há limites quando o assunto é prazer...

segunda-feira, julho 08, 2002

“[...] O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais, há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesmo compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudades...sei lá de quê!”

Florbela Espanca, Carta no. 147, volume V, Lisboa, junho de 1930

domingo, julho 07, 2002



Estive observando o visual do blog e acho que nunca o vi tão escuro, principalmente as fotos que tenho escolhido, aleatoriamente. Sem dúvida é reflexo do que se passa cá dentro. Como despir-se do véu que atrapalha a alegria e mandar embora o vazio? Ainda não descobri uma mágica capaz de verter lágrimas em sorrisos. Só nos roteiros com final feliz.
Quantas vezes já assisti às Pontes de Madison ou Razão e Sensibilidade? Não sei, já perdi a conta. E por mais que eu conheça o final, quando vejo esses filmes, algo em mim é despertado com doçura. Ao falar de amor com delicadeza, percebemos os amores que deixamos ir, os que chegam, o primeiro que nunca esquecemos e os tantos outros que também não saem da lembrança, mas que vivem hoje transformados, pacificamente em nossa alma.
Não canso de visitar aquela porta, que um dia foi azul, hoje está bicolor. Ele nos fala de quantas mulheres abrigam uma única mulher e, independente de qual delas está à frente, ele esclarece: pertenço a ela! Feliz essa mulher que o têm de forma tão arrebatada. É facho de luz entreabrindo a porta dele e inspirando os mais belos posts de amor...


sexta-feira, julho 05, 2002



O Caminho

Andar pelo caminho de BABALON é buscar, permitir-se
experimentar a existência como pura sensação,
suspendendo a análise dos valores prazer-dor,
bom-mau, atrativo-repulsivo, pelos quais normalmente
limitamos e definimos nossa experiência humana de cada
dia.

Andar pelo caminho de BABALON é buscar, permitir a si
mesmo render-se totalmente à sensação de prazer e
desejo, encontradas em todas as facetas da existência,
sem medo da dissolução do "EU".

Andar pelo caminho de BABALON é permitir-se a
liberdade de iniciar a paixão, dentro de outros,
dentro de Si mesmo.

Dentre as quatro faces da deusa - Donzela, Ninfa,
Guerreira, Velha - Babalon é a Guerreira. Babalon é
aquele indivíduo de poder que Se abre e desperta em
contato com sua sexualidade mágica(K), que sem dúvida
não é definida por outro indivíduo, e sim por sua
própria Vontade de experimentar a existência.

Ele/Ela é aquele indivíduo capaz de suprir as deusas,
canalizando o amor total e incondicional do universo
por todas as coisas da criação - apesar da beleza ou
feiúra percebidas, atração ou repugnância, gênero,
idade, ou reações emocionais pessoais. Seguro em si
mesmo e de seu poder mágico(K), quem anda pelo caminho
de BABALON é livre para render-se totalmente ao desejo
- aos desejos de outros assim como os seus próprios,
conservando sua integridade pessoal, independência e
poder.

Capaz de abrir suas sensibilidades intensificadas a um
despertar da existência como pura sensação, Babalon é
o adepto tântrico, com todos os poderes que isto
implica. Babalon funciona como médium psíquico e voz
oracular, na expresso de suas próprias ensinanças da
realidade, e não a de outros. Como Guerreiro, quem
anda pelo caminho de Babalon trabalha ativamente para
a transformação positiva da cultura e da sociedade,
num papel de direção, mediante a aplicação de coragem,
vontade, criatividade, amor e, sobretudo, da Voz
Feminina.

Aleister Crowley

quinta-feira, julho 04, 2002

UM ENCONTRO COM O DIABO

Ele encontrou-se com o diabo e, eu capturei algumas frases do diálogo que estão aí embaixo. Vale a pena ler na íntegra o que ele andou escrevendo por .

[...]o mal é tão maravilhoso em sua forma que só poderia ser criação do bem.[...]

[...]o mal existe para convencer os homens a retornarem ao criador, por isso surgi como o seu melhor amigo. Se a vida fosse boa e bela, vocês jamais o fariam.[...]

[...]O ponto mais vazio de todo o universo é o coração humano. Os sentimentos humanos podem ser polarizados tanto para o certo quanto para o errado, à partir da função sexual, que se divide em masculino e feminino, e onde há divisão há diabo.
-- Assim, você fornece o falso amor entre o homem e a mulher...
-- E enquanto vocês se esfregam os corpos suados numa cama, todo o universo se atrasa. Os homens não compreendem que devem amar uns aos outros como se os outros fossem vocês...como se não houvesse diferença entre eu e eles . Por que tudo veio do um e a ele retorna.[...]

[...]A expressão do mal como você está imaginando não existe. Raciocine comigo: Deus quer que a humanidade se religue, daís as religiões; quer que vocês se redimam, daí a redenção. Portanto não é do interesse divino que os homens continuem na Terra. Assim Deus inventou a morte. Também não é do interesse de Deus que vocês fiquem confortáveis em seus corpos, senão sempre quererão retornar à experiência material no mundo físico, assim Deus inventou a dor. Também não é desejável para o plano divino que os homens sejam felizes na Terra porque senão por aqui ficarão, assim ele inventou o sofrimento.[...]

[...]o Demônio é à favor da vida e da sobrevivência. Tanto que o planeta tem seis bilhões de seres humanos. Interessa-me que os homens fiquem confortáveis em seus corpos, eu inveitei o prazer e eu sussurrei no ouvido dos homens para que usassem a morfina para anestesiar a sua dor.[...]

[...]Eu quero que os homens continuem na Terra, assim eu sou o arquiteto da felicidade no mundo[...]


quarta-feira, julho 03, 2002



Alguém perguntou por onde andava minha alegria e eu não soube responder...ela deve estar escondida em algum beco, esquivando-se para não encontrar a tristeza que jaz aqui.
Guardei as fotografias do mural, arrumei as malas, peguei os livros, juntei cds, dobrei as roupas. São duas, ainda estão sobre a cama, me olhando...preenchi as gavetas vazias com outras mudas e ainda assim o cheiro impregnava minhas mãos....uma lágrima desceu....ainda escorre pelo canto do olho...
Pensei nos objetos que estão lá e a estória de cada um deles. Lembrei do primeiro encontro, da primeira vez que mirei seus olhos plácidos, azuis. Do primeiro ramo de rosas vermelhas. Da poesia que embalava nosso cotidiano, da felicidade em gestos simples e sem sofisticação. Das noites embebidas pelo tinto de Dioniso no mar de areia lambido pelas ondas...
Parece que a saudade não tem fim e tento convencer-me do contrário. Sinto-me só e não vejo perspectivas imediatas de paz. Hoje, particularmente, a ferida sangra e dói, e não tenho idéia de quando conseguirei fazer casca.



terça-feira, julho 02, 2002

UMA HISTÓRIA DE AMOR

Quero deixar aqui o registro de admiração e carinho pela maior bandeira viva de amor que habitou nossos céus até a chegada das cinco estrelas: Chico Xavier. Como ele dizia em sua simplicidade e sabedoria: Sim ame, ame muito, dê amor, mas sem esperar nada em troca. Parece difícil mas foi exatamente isso que ele tentou incutir em cada coração: o amor, o amar ao próximo como a ti mesmo.
Legou a continuidade da existência através de obras psicografadas e deu prosseguimento à mensagem deixada por Cristo através do Espiritismo. O maior precursor da doutrina kardecista mudou de casa, agora junto com Emmanuel e a espiritualidade amiga trabalha ‘do outro lado’ para a continuidade da evolução, espiritual e humana.
Pego emprestado as palavras de Falabella para sublinhar esse momento:
“[...]vão ser, com toda a certeza, lembranças de amor, sem ponto sem vírgula, amor que corre por debaixo dos cílios abaixados, amor de todo dia, de toda hora, amor que nos confere a qualidade de eternos, num único instante. [....]”.


segunda-feira, julho 01, 2002

NA FESTA DO COLONO ALEMÃO: O PENTA!

Comemoramos há dois dias a Chegada dos Colonos Alemães à Petrópolis. Confesso que havia no ar a apreensão quanto ao resultado final da Copa. Imagina se por algum capricho infeliz do destino nós perdêssemos o penta e a Alemanha ganhasse o tetra? A festa, que dura duas semanas, teria um gosto tão amargo quanto o chopp vendido e tudo perderia o sentido alegre para dar lugar ao vazio, à dor de cotovelo.
Um grupo de jovens da faculdade de medicina já havia vaticinado: se o Brasil perder o jogo vamos incendiar tudo, todas as barracas de comida típica, o palco, tudo que estiver dentro e fora dos arredores do Palácio de Cristal. Nas rodas de cabelos brancos, que se reúnem no centro da cidade, espalhavam o boato de que a festa não abriria seus portões no domingo, que o bierwagem – carro que circula nos principais pontos do centro histórico distribuindo chopp – seria impedido de fazer o trajeto. As especulações pipocam em todos os lugares e eu ouvindo os rumores que se formavam em cada canto, criando mais disse-me-disse.
Não que isso de fato fosse importante, isso é insignificante diante da vitória conquistada ontem.
Para não quebrar a escrita não vi o jogo todo da final. Acordei no intervalo do primeiro tempo, tomei café e saí. Tinha que entregar um cd para instalação de um programa e só eu tinha como resolver a questão. Passei antes na casa do meu irmão e o primeiro gol já tinha saído, eu sabia pela gritaria que ouvia saindo da vizinhança. Minha cunhada, de cara amassada, estava eufórica. Em seguida, outro gol e esse eu vi. Gritei também.
Entreguei o disco e fui almoçar com a família na festa do alemão. O céu estupidamente azul, o sol forte que não tinha por que brigar com ninguém por um lugar no firmamento, aquecia a comemoração pelo penta campeonato. Passamos o dia nos deliciando com as iguarias alemães, sem pressa, atentos aos modelitos verde-amarelo que desfilavam à nossa volta. Dá gosto esse patriotismo, a explosão e o orgulho que toma nosso povo. E esse sentimento estava estampado em cada grupo de brasileiros espalhados pelo planeta. E como num carnaval mundial agregamos outros povos, outras raças, aceitamos de bom grado a chegada de estranhos em meio à alegria embalada pelo barulho de cornetas, pelo samba no pé e na demonstração de amor explícito à camisa canarinho.
Não dá pra esquecer a tenacidade de Ronaldo, em sua luta incansável pela recuperação. Ele é exemplo para todos: o menino-guerreiro com sua chuteira prateada. Ele deve ter pêgo emprestado no Olimpo esse apetrecho mágico. Pelo impulso faiscante a bola voou, impulsionada pelo brilho da seleção e cegou o mortal que ousou desafiar nossos atacantes, nosso trio de erres. Depois da batalha vencida, erguemos a taça pela quinta vez, exibindo ao mundo nossa arte, nossa graça, a criatividade de ser do país do futebol, da pátria que caminha abraçada à sua bandeira e têm a certeza de que Deus é de fato brasileiro.