sábado, fevereiro 25, 2006

VÔO II

Por um instante, num átimo, no segundo em que se abraçaram,
Naquele momento, na hora que os corpos se uniram, se tocaram,
pedaço com pedaço, estruturas se fundiram:
Dessa vez o vôo foi duplo.

sábado, fevereiro 18, 2006

VÔO

Faz força, rompe as barreiras, se desfaz das amarras.
Depois liberta, faz mais força, dessa vez para se livrar da viscosidade,
abre as asas, bate as mesmas, vai largando o que impede seu lançamento no espaço.
E tal como pluma que flutua pelo ar, voa para o alto, para a vida, circunda o jardim, salpicando o verde de colorido.
Tal como ela, volto a voar.

sábado, dezembro 31, 2005

2006



Que o próximo ano seja fluido como o bater de asas,
num vôo solo pela atmosfera colorida,
transformando o estagnado e permitindo uma nova vida.

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Ela se desfez dos últimos pertences.
Os deixou lentamente sobre a cômoda.
Despiu-se do leque, das luvas e da roupa dourada.
A lingerie também era do mesmo tom.
Gostava da meia sete oitavos ouro que acompanhava a cinta liga de mesma cor.
Permaneceu seminua em frente ao espelho.
Ninguém ali a conhecia e por isso mesmo havia se revelado por inteira.
Um tom escarlate ainda cobria seu rosto, tamanha a agitação da dança.
Lembrou do homem moreno de máscara, seu rosto forte, suas mãos determinadas.
Seus olhos miraram-se muitas vezes durante o encontro.
Neles havia cumplicidade, ainda que palavra alguma tenha sido dita.
Ela continuou sua peregrinação na memória e parou novamente em frente ao espelho.
Mirava-se, olhou-se de perfil, de costas, gostava dos ângulos perfeitos que a imagem refletia.
Sentia-se inteira naquele encontro pessoal e intransferível.
Faltava ainda um detalhe, o mais significativo, muito além da face que havia se retido por detrás do artefato.
Ali, diante da miragem refletida, era alguém incógnita, alguém sem rosto, sem alma e quiçá sem coração.
Completamente entregue a sensação, tirou de uma só vez, a pôs junto aos outros pertences:
A máscara dourada havia perdido seu propósito, voltado a ser um simples objeto de decoração e tal como os outros objetos voltaria para o fundo do baú e quem sabe um dia poderia retornar e com ela sua natureza selvagem e indomesticada.

terça-feira, novembro 22, 2005



Tateiam o desconhecido,
por entre curvas, sinuosos vales, tecidos macios.
Descobrem universos e recônditos,
na incursão pelo sensorial.
Deslizando, apalpando, apertando, tomando,
embriagando os sentidos, o tato.

quarta-feira, outubro 26, 2005

JANELA

A cortina rosa dava o tom do momento,
acariciada pelo vento, riscava no céu a lemniscata, o infinito.
Iansã soprava tempestade, a única que une
os amantes, os enamorados.
E você atrás de mim, tomava a paisagem, a vida, aquele instante.

sábado, outubro 15, 2005

REVOLUÇÃO SOLAR



Acompanho o rastro de perfume e a suavidade de borboletas. Devaneios, volitando em estado ainda letárgico, mas pronta para os próximos trezentos e sessenta e cinco dias do Ano Novo que hoje começa para mim. Revolução Solar dirigida pelos espíritos do vento, imortalizando a delicadeza e a vontade de seguir em frente, cheia de vida. Renasço em mais uma primavera.

domingo, outubro 09, 2005

LIBRIANAMENTE FALANDO

O sol escaldante e suor que escorre pela face.
Um calor abrasador, cercado de sensações.
Essas que só ele conhece.
Vulcão que mescla cores, sabores e delícias.
Lambidas, comidas, texturas, paladar.
Inferno que me deixa astral e sopra auspícios.
Ele me ama, me toma, me toca e me possui.
Mas, mal sabe ele, que eu amo.
Talvez de uma maneira despretensiosa e por isso mesmo, feliz.
Não digo, só os olhos transbordam, exprimem, o quanto me faz assim, inteira.
Outubro ergue os braços, encanta librianos, desafia meus leões.
Ainda falta uns dias, mas ainda assim, só quem mistura e conhece o mistério
de Tirésias entende o que vai numa alma masculina.
Ainda que eu seja yang...