domingo, agosto 10, 2014

Ele dança,
olha de banda,
tamborila no pandeiro,
é um menino no centro da roda.
É mágico,
ágil,
mescla cores e carmim,
ai de mim,
cigano.

Texto: Analu Menezes
Foto: Iram Rubem Brandão 



segunda-feira, agosto 04, 2014

No seu corpo molhado -

Banhado em suor,
impregnado do cheiro de amor,
do que bagunçou a cama,
marcou a parede,
incendiou a pia,
foi apoio na beira do sofá,
sentiu o peso dos corpos no tapete -

A água lava e perfuma de sabão.

Esse frenesi sem palavras,
desde a hora que nos encontramos
e nossos olhos se cruzaram.
Desde o instante em que tocou
de leve minha pele e roçou sua boca em meus cabelos...
Naquele segundo sabíamos o que aconteceria.

Algumas horas depois, sem verbo,
somente a respiração ditava o compasso do coração,
aceleradamente,
uma falta de ar súbita,
boca seca, a sua e a minha,
boca que quer boca.
Os feromônios animados,
os que se encontram e se reconhecem
numa dupla que não diz, só sente e inala o odor,  
cheiro ancestral,
animal, que nos envolve,
seduz e dilacera as entranhas.

Assim, no atrito,
o contato é cio,
é vida, cheiro.
Os líquidos, 
as secreções,
as sensações,
os estalos e ais, 
milhares de suspiros e ais.
Os meus, os teus,
os nossos sons unidos,
nossos seres penetrados,
fundidos, fodidos,
fincados, grudados,
um no outro.

Um só corpo,
em gozo, delícia
e prazer.

Texto: Analu Menezes
Foto: google imagens





sexta-feira, agosto 01, 2014

Vestiu uma roupa habitual,
o short e a camiseta básica,
penteou os cabelos, calçou os chinelos. 
Pegou a chave, o celular que estava em cima da mesa e já ia abrindo a porta quando lembrou:
o fiel escudeiro, um livro que estava sobre a cama. 
Apanhou-o e desceu o elevador.
O tempo não estava bom, levemente
nublado, o mar de ressaca e as palmeiras
ao vento.
Caminhou um pouco pelo calçadão,
deixou que a maresia penetrasse as narinas
e ao mesmo tempo tocasse seus cabelos
e corpo.
Pensou na vida. No que mais ansiava agora.
Releu o passado próximo, não quis lembrar o
motivo de ausência.
Caminhou mais um pouco. O vento aquietou-se.
Sentou num banco, de costas para a mureta e o mar, pegou o livro e abriu na página marcada.
Naquele instante, a vida ganhava outra dinâmica, outros personagens, uma paisagem diferente, transportando-a a outro lugar...bem longe dali.
Absorta, não viu o moço de máquina na mão.
O que imortalizou o instante.

Texto: Analu Menezes 

Foto: Marcos Mojica

 

segunda-feira, julho 21, 2014

Coagula nas folhas,
espargindo sangue
e calor pela terra.
O vermelho pincela
a areia, colore a copa das árvores,
tinge a vida,
o ser...
É o que escorre todo mês,
fertilizando o ventre,
permitindo um novo ciclo,
abrindo as portas a um novo ser,
a possibilidade de criar,
de dar a vida,
de parir.
E ser amor enche  o coração feminino,
da deusa que habita em mim em
força, energia e calor,
dando lugar a todas que aqui vivem:
a anciã, a virgem e a mulher.

Foto e texto: Analu Menezes 

segunda-feira, julho 14, 2014

Ao caminhar pela rua, um encontro.
Um homem e um felino. 
Ele vê harmonia e registra as imagens belas e cinzas das estátuas,
dos pássaros que pousam e sobrevoam, dos terços pendurados nas lápides, 
coloridas pelas flores deixadas por alguém com saudade de quem partiu.
A atmosfera é de paz no cemitério. Ele sente assim.
Talvez, porque seu lado mais sereno encontre
familiaridade na languidez do gato.
E, nessa troca, o gato continuou sua marcha,
era jogo do Brasil, e o fotógrafo registrou o momento.

Foto: Marcos Antonio Valério
Texto: Analu Menezes



quinta-feira, julho 03, 2014

O pulo do gato. 
Gato de sete vidas.
O das vidas vestidas e revestidas de possibilidades.
Reconstruindo, reinventando-se.
Percebendo a possibilidade de ir além,
de se reprogramar, criar, ludicamente amar.
Loucamente amar a vida, a criação, a Deus, a Deusa, a si e a todos.
Meu beijo, meu boa noite, cigano dos arrebóis,
que a carroça atinja novos horizontes
e o teatro agrade a todos que chegarem até a ti.
Uma rosa, uma flor, um símbolo de amor.
Que o trajeto seja doce e belo. 


Texto: Analu Menezes 

Foto: google imagens 

terça-feira, julho 01, 2014

A cigana dos arrebóis estaciona a carroça de estrelas, 
repleta de luz e calor do dia.
Abre as janelas e deixa que o vento penetre 
e com ele o som de violinos.
A lua nova a convida a ler o futuro. 
Abre o lenço de moedas, pega o baralho. 
Na fogueira crepitam salamandras,
as que dançam e refletem desejos,
os seus, os meus, os nossos.
A sorte se abre à medida que a noite avança
e é chegado um novo tempo.
Metade do ano se foi.
E julho chega lançando sortilégios
e desejos de prosperidade, amor e paz.

Foto e texto: Analu Menezes



sábado, maio 24, 2014

A mulher abissal

Tece o mundo,
pare vida, 
jorra água, azul e sal,
fecunda mulher. 

A mulher fora do ideal,
a abissal,
a que abriga oceanos,
mares turbulentos,
noites escuras,
luminosas criaturas.

A mulher ondina, sereia, rainha,
encontra referencial nos seres que habitam sua alma,
nos peixes em cardumes,
na dança e movimento na água
quando juntos bailam e se protegem dos predadores.
A mulher de ventre líquido,
abre as entranhas ao dar vida à criação psíquica, fluida e intangível.
E aí tudo é possível...