domingo, maio 20, 2007



Morgana dorme em seu leito volátil enquanto as estrelas rodopiam na substância etérea, disciplinando sua alma no amor incondicional e no fogo sacrifical de amar o amor. A sensibilidade de mulher vaga entre o domínio de ser e a impossibilidade do mundo. A magia que irradia do seu desejo quebra o ciclo de erros e opera no abismo dos sentimentos opostos uma dádiva: a segunda pele. A serpente que dormia acorda em seus seios ávidos do sagrado, o cosmo se contorce. O sofrimento é apenas uma ilusão que funciona como remédio e intermediação, mas é lastro caro. Cresça feiticeira em sua moral, ponha à ferros suas dúvidas e seus desamparos, avança teu sonho. A lua não mingua por teus olhos negros na escuridão, mas pelos ciclos das rosas cinzas que serão tingidas do ouro espiritual. O pentagrama brilha prateado sobre teu sexo num frêmito entre o futuro e o passado, varrendo da face escarlate as impressões primeiras, os abusos e as inconsistências da fome em teus lábios.(Carlos Costa)

segunda-feira, abril 16, 2007


Um instante de cores em profusão,
transbordando efeito ventania.
Uma parada mais que necessária, quando o tempo se torna senhor.

sábado, março 03, 2007



Sol e girassol, na parede, aqui e lá fora.
Amarelo a clarear a tela, o sentido da vida.
Azul pincelando a atmosfera, verde que te quero ao redor.
Vento que se esparge, que toma o ar, traz cheiro e preguiça.
Vontade de rede e pés descalços.
Mar que arrebenta na praia, balança o sal, espalha energia.
Pulsações que não calam, histórias a serem reescritas.
Traumas que acompanham seres, livros e novelas reais.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O AMOR NÃO TIRA FÉRIAS...

O amor pode estar nos pequenos detalhes.
Acho que o meu ideal romântico está sempre neles e na gentileza.
De uma maneira muito peculiar ele se estabelece e vicia.
Não como uma droga necessária à sobrevivência,
mas como enlevo para que meus sonhos coloridos
jorrem sem medo e expectativas.
Longe da paixão avassaladora que cega, ele é maior, muito maior.
Deixo que a felicidade chegue, permito que a falta de razão
crie raízes e a emoção extrapole a análise.
Sei que os detalhes envolvem o sorriso, os olhos azuis magnéticos, o jeito que a mão desliza,e a maneira como acarinha e se deixa fincar.
Estar assim é largar borboletas amarelas e abrir a janela diante do sol,
é dar brilho ao redor, em ondas eletrizantes e imantadas.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

EROS E THANATOS



O amor e a morte.
Eros e Thanatos.
Os extremos.
Conta a lenda que Eros adormeceu numa caverna, embriagado pelos auspícios de Hipno, o irmão de Thanatos.
Ao sonhar e relaxar, suas flechas se espalharam pela caverna, misturando-se às flechas da morte.
Ao acordar, Eros sabia quantas flechas possuía. Reunia-as, mas sem querer levou algumas pertencentes a Thanatos.
Assim, os velhos se sentem embrigados pelo amor, flechados por Eros, enquanto muitos jovens sentem a morte no coração.
Muitas vezes, o amor quando finda deixa uma sensação tal de vazio e solidão, que deve ser muito próximo daquilo que acreditamos ser a morte.
Enquanto outras vezes é preciso que a morte se estabeleça para que o amor nasça.
A passionalidade cerca os seres, todos. Não há quem nunca pensou em extremos diante de uma ameaça.
Por isso mesmo, há de morrer para que renasça o amor.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

JANEIRO

As imagens que ele cria despertam em mim antigas sensações. Tempo em que a magia vivia em cada artéria do corpo e transportava minha visão para um espaço distante do que meus olhos figuravam. Hoje pela manhã, ao ler o recado que deixou na minha página do Orkut, retornei a esse momento especial. Ainda que o ano comece, lembranças especiais perduram no que a vivência estabeleceu. Sendo assim, trago para cá essas reminiscências a vocês:

Os lobos se moviam solenes sob o céu estrelado, nós os atraíamos pelo puro prazer do domínio. O tempo se tornou uma vontade pulsante e a lua tramava a cada hora contra a escuridão, ainda que impossível a qualquer das suas faces. O silêncio derramava sobre o lago gelado a virtude do mistério. Então um rosto de fogo marcou-me a severidade de um juramento numa dessas noites em que as sombras são as principais testemunhas. Não me recordo de tudo, estávamos reunidos como jovens bruxos e bruxas, despertos do sono do mundo. Itangra era alta e nobre aos meus olhos, lembrava-me as ventanias do outono. Andava com uma elegância selvagem e uma displicência superior. Soube naquele momento que ela possuía uma beleza que interferia na materialidade do mundo e um poder que não se explica por palavras. (O 3º Pêndulo - Carlos Costa)

sexta-feira, dezembro 22, 2006

DEZEMBRO

Eu não tenho muita vontade e nem tempo prá escrever. Uma amiga me mandou um email reclamando da ausência. Mas, tanta coisa acontecendo, tanta agitação ao redor, e eu não tenho mesmo dado conta.
Hoje lendo uma msg no Orkut do meu amigo Carlos Costa, onde ele fala de uma roda que gira, do tempo, foi impossível não me render e deixar que Sansara desse um brilho eterno ao que o presente imortaliza. Então, um pouco desse movimento que ele deixou em mim, passo a vocês:

Gira, gira a fonte da vida. Das suas águas profundas o aço criador, meio mergulhado, meio lançado, separa os lados: um dos lados nos faz; enquanto o outro, nos faz bem feito.
Andamos descalços, sem visitas, pois a vida não faz visitas, aliás, somos nós que visitamos a vida. Nus de vésperas, feito entalhes de carpinteiro. Mas o coração é leve na chama do amor quando me quero e me desobedeço... se vou e te abraço, sou de qualquer jeito.

Então, gira, gira a mandala maravilhosa em cadeias mutantes. Do ponto imóvel do cálculo do cotidiano, o universo é sonho tangível de esperança. Na pressa pousa a rosa esférica da hora. Há no templo pegadas apenas... e no altar, o coração da rosa.

terça-feira, novembro 21, 2006



Morbidez? Sensacionalismo? Não. E explico: a ficção, para ser purificadora, tem de ser atroz. O personagem é vil para que não o sejamos. Ele realiza a miséria inconfessa de cada um de nós. Para isso, é preciso encher o palco de uma rajada de monstros. São os nossos monstros, dos quais eventualmente nos libertamos, para depois recriá-los.

(Nelson Rodrigues)