quarta-feira, setembro 22, 2004

DOS AMANTES



Chegou o equinócio e eu não tive tempo de celebrá-lo.
Soube hoje que comemora-se nessa mesma data o Dia dos Amantes.
Lendo no Multiply um texto sobre a paixão, Angel Blue citava "A Insustentável Leveza do Ser" e uma frase do livro. Vou recorrer a ela, justamente porque ficou reverberando na mente e eu compreendi seu sentido, que diz assim:

"... deitar com uma mulher e dormir com ela, eis duas paixões não somente diferentes mas quase contraditórias. O amor não se manifesta pelo desejo de fazer amor (esse desejo se aplica a uma série inumerável de mulheres), mas pelo desejo do sono compartilhado (este desejo diz respeito a uma só mulher)."

quinta-feira, setembro 16, 2004

INFERNO ASTRAL

E não é que hoje começa?
Pus até no Multiply o calendário dos dias.
Aliás, tenho encontrado tantos brinquedinhos novos que ando meio perdida.
Administrar tantos espaços é trabalhoso, mas isso tudo me diverte.
Eu adoro uma novidade, a possibilidade de arriscar no que não se sabe, no que não domino, no que é improvável e eu não sei se dará certo.
O que é certo é o amor que tenho por este espaço, por essa Lemniscata onde tantas letras, palavras e sonhos já se espargiram.
Quero é mais. Que venha o inferno e o astral permaneça o mesmo.

quinta-feira, setembro 02, 2004

SETEMBRO



Reacendo, fosforeio, incandeço.
Num negrume mesclado de carmim.
Nas constelações que brindam euforia e se comovem diante do deserto interior.
Na boca, vermelho espalhado. Rascante.
Desce pela traquéia, aquece o estômago, inebria o ser.
Paladar que atiça e dá fome.
A mesma que tange pelas artérias doces e rubras.
O mesmo sangue quente que te faz vivo.
Do ar que respira e espalha álcool ao redor.
Vulcão que convida novamente a aqui estar.

domingo, agosto 08, 2004

FENDA

No caminho azul é calor dentro e fora.
Transbordam essências, umidade e licores.
Cheiros de flor, ocre e açúcar.
Mel que se espalha e cria a atmosfera aconchegante.
Agasalha o que precisa de chão, casa e colo.
Oferece o que há de sublime.
Intermeio de palavras e divagação.
Sonhos distantes de costelações e mudez.
Nave que se esvai e volta ao porto.
Vida que se refaz em cada enseada.


terça-feira, agosto 03, 2004

No ser, deserto e poeira.
Restos e memórias, pesadelos e cobranças.
A noite passada foi assim.
Brigas e profética frase.
O amanhecer estranho e cinzento.
Alma revirada, íntimo em desalinho.

quarta-feira, julho 28, 2004

DOS AMIGOS

Ganhou uma rosa azul e trouxe junto um mar colorido.
Pérolas a criar uma nova atmosfera lúdica e lúcida.
Verde como os tons que cercam as matas, intercalado com prata.
Coisas da moça de olhos d?água.
Tatoos três. Átame, espada, flor de Iansã.
De tempestades nada têm. Tem lógica e bom humor.
Sentou num dos bares tradicionais daqui.
Onde os quitutes e caldos são famosos.
Sucumbiu ao chope preto e bolinhos de bacalhau.
Não resistiu e se fartou de waffle com presunto.
Pequenos pedaços deglutidos ao compasso de troca.
Amizade, alegria e claridade.
Ela é assim. Sua vinda aqui, também.
Na cidade nevoada, fria e úmida,
Um céu de Manaus desceu, irradiando sol nessa paisagem cinza.
Estar com ela é sempre motivo de aprendizagem.
Amiga é teu nome.
Ainda ia às cartas, as de baralho comum.
Gosta das previsões e dos achados do Candomblé.
Falamos de entidades, santos e achados espirituais.
Pus ela no ônibus, lá se foi com seus cabelos dourados,
olhar sincero e dignidade.
Um abraço apertado marcou a despedida.
Foi um dia raro, como poucos...

terça-feira, julho 20, 2004

JULHO

Pus os pés para fora do barco.

Armazenei forças com os raios solares.

Namorei as ondas que batiam incessantes.

Galopei e domei golfinhos e tubarões.

Errei ao acreditar num mundo feito de pedaços.

Imaginei errado.

Agora sei, tudo era um único bloco, compacto e fixo.   
  
    
 



segunda-feira, junho 28, 2004

DIA BRANCO
 
A folha, o dia e você.
Isso remete a uma música de Geraldinho.
Talvez nós estejamos mesmo percorrendo essas linhas imaginárias e escuras.
As que atormentam sua mente e mexem com o diálogo.
A fumaça invade, cheiro de folha queimada, lixo sendo destruído.
Castelo também fica assim nessa época. Uma bruma com pitada de sol.
Um ar nem quente e nem frio, imagens sobrepostas e claras só à frente,
quando a vista consegue captar.
A letra diz assim:

"Se você vier pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol...se hoje o sol sair
Ou a chuva...se a chuva cair.
Se você vier até onde a gente chegar,
Numa praça na beira do mar.
Um pedaço de qualquer lugar.
E neste dia branco se branco ele for,
esse tanto, esse canto de amor.
Se você quiser e vier pro que der e vier comigo
Se branco ele for,
esse canto, esse tanto, esse tão grande amor, grande amor,
Se você quiser e vier pro que der e vier comigo. "