quinta-feira, dezembro 04, 2003

RUSSO

Renato está cantando.
Impregnando poesia e desarvorando um pedaço de passado.
Um toque de menina, um canto adolescente, um raro começo de vida.
Quando de repente se abre a janela e Oxumaré risca arco-íris.
Tinge de pastel a existência, põe mais azul na rotina.
Ainda que o vermelho escorra pela face em corações desfeitos.
Partidos só no término de algo que não engrenou.
Lembranças e mais recordações, o tal livro que escrevemos dia a dia.
Volto o olhar para o presente, têm fog no clima.
O verde meio camuflado, escondido atrás da fumaça branca e pálida.
Russo, está assim lá fora.
Um dia dei um livro dele a uma paixão.
Dedicatória, a história dizia que devíamos amar como se não houvesse amanhã.
Renato Russo diz: “sou uma gota d’água, sou um grão de areia”.
Sim, faço parte do todo. Ainda que o estudo tente me levar à razão, à perfeição.
Muitas vezes escrevo, escrevo, escrevo e nada faz muito sentido.
E pra que sentido agora?
Não precisa, não vai adiante.
A vida é tão efêmera, as palavras também.
E pra que tanta pressa? Será que ainda dá tempo?
Tomara que dê.