O namoro tem vida intensa e breve. E é por isso que é tão belo e a sua memória - saudade - mora e dói em nossos corpos. Fica como nostalgia de um amor que deveria durar para sempre. Romeu e Julieta tinham de morrer, para que sua estória dissesse a nossa verdade e quiséssemos sempre ouvi-la de novo. Ah! Como seria bom se fôssemos sempre jovens, puros e ardentes! Então o mundo inteiro seria luminoso e viveríamos a cada dia a promessa suprema da religião: a ressurreição do corpo. Corpos enamorados são corpos ressucitados.Há a estória da menina e do pássaro encantado. "Preciso ir", dizia o pássaro. "Não vá". respondia a menina, ingênua. E ele respondia: "Vou para que o amor retorne. Você não entende que só sou encantado por causa da saudade?". O Namoro acontece somente na dor da distância, quando os dedos se tocam de leve.
(Rubem Alves - do livro: do universo à jabuticaba)
quinta-feira, março 25, 2010
SILÊNCIO
"Eu comecei a ouvir Fernando Pessoa conhecia a experiência...E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras...No lugar onde não há palavras. A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa. No fundo do mar - quem faz mergulho sabe - a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos. Aí, livres dos ruídos e do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia...Que de tão linda nos faz chorar..."
Rubem Alves
Rubem Alves
sexta-feira, setembro 11, 2009
esmaecida
Tantas vezes ela se pega da mesma forma.
Parada, estática, como se o tempo fosse um mero contador de dias.
Não há o que fazer, somente se deixar levar pela madrugada.
Momento em que a lua se faz companheira,
desnudando o coração partido, um tanto cansado.
Talvez ela se encontre assim por mero capricho íntimo.
Talvez seja uma opção diante da existência.
O cigarro se embrenha pelo luar, dançando imagens aos seus olhos perdidos.
O elo com o real se fecha.
O que se tem agora é só essência.
Pura, inteira e delirante.
Parada, estática, como se o tempo fosse um mero contador de dias.
Não há o que fazer, somente se deixar levar pela madrugada.
Momento em que a lua se faz companheira,
desnudando o coração partido, um tanto cansado.
Talvez ela se encontre assim por mero capricho íntimo.
Talvez seja uma opção diante da existência.
O cigarro se embrenha pelo luar, dançando imagens aos seus olhos perdidos.
O elo com o real se fecha.
O que se tem agora é só essência.
Pura, inteira e delirante.
quinta-feira, setembro 10, 2009
O barulho que não se conhece o destino.
A venda negra sucumbe a visão.
O cheiro não identificável.
Boca vermelha e aproximação.
Pronta a sorver e deglutir, descobrir.
Fetiche, preto e branco.
Sensações: as invisíveis, as que estremecem...
quarta-feira, setembro 09, 2009
No ínfimo detalhe, na boca que se abre,
nos olhos que dizem o óbvio, no jogo que aquece e provoca.
No que nao é propriamente dito, mas que marca.
No que a razão mais uma vez diz não,
a emoção borbulha, ferve, água que queima.
Ainda que a sensualidade pontue a troca,
há outra coisa que está além e que desarticula.
Meus pensamentos outra vez obsessivos,
doentios e não cessam.
O gosto, a pele, tudo aquilo que se traduz no encontro,
embaixo da derme, no que me faz insistir novamente.
.
nos olhos que dizem o óbvio, no jogo que aquece e provoca.
No que nao é propriamente dito, mas que marca.
No que a razão mais uma vez diz não,
a emoção borbulha, ferve, água que queima.
Ainda que a sensualidade pontue a troca,
há outra coisa que está além e que desarticula.
Meus pensamentos outra vez obsessivos,
doentios e não cessam.
O gosto, a pele, tudo aquilo que se traduz no encontro,
embaixo da derme, no que me faz insistir novamente.
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segunda-feira, setembro 07, 2009
Reacendo, fosforeio, incandeço.
Num negrume mesclado de carmim.
Nas constelações que brindam euforia e se comovem diante do deserto interior.
Na boca, vermelho espalhado. Rascante.
Desce pela traquéia, aquece o estômago, inebria o ser.
Paladar que atiça e dá fome.
A mesma que tange pelas artérias doces e rubras.
O mesmo sangue quente que te faz vivo.
Do ar que respira e espalha álcool ao redor.
Vulcão que convida novamente a aqui estar.
Num negrume mesclado de carmim.
Nas constelações que brindam euforia e se comovem diante do deserto interior.
Na boca, vermelho espalhado. Rascante.
Desce pela traquéia, aquece o estômago, inebria o ser.
Paladar que atiça e dá fome.
A mesma que tange pelas artérias doces e rubras.
O mesmo sangue quente que te faz vivo.
Do ar que respira e espalha álcool ao redor.
Vulcão que convida novamente a aqui estar.
domingo, setembro 06, 2009
Se não nos estabelecemos de fato,
se negamos e não estamos muito preocupados,
a vida nos embola em movediças teias.
As mesmas que enredam e tecem tramas inóspitas,
distantes e nefandas.
Tricoto o sentido sem perceber onde isso vai dar.
Daqui, de onde miro a escuridão da noite, só luar.
Um rastro em crescente a dar luz às sensações.
se negamos e não estamos muito preocupados,
a vida nos embola em movediças teias.
As mesmas que enredam e tecem tramas inóspitas,
distantes e nefandas.
Tricoto o sentido sem perceber onde isso vai dar.
Daqui, de onde miro a escuridão da noite, só luar.
Um rastro em crescente a dar luz às sensações.
sábado, setembro 05, 2009
Falamos de sensações.
Do tanto que existe na sombra dele.
Riu e quis escarafunchar mais um pouco.
Não obteve o que desejava.
Respostas não são imediatas, ainda que as queira.
No vinil, no que reluz na escuridão, o tanto que vibra.
Na noite que se avoluma agora, só bruma.
Na verdade que existe aí dentro só desejo.
Sadismo que se converte em êxtase, risada que denuncia.
Olhar que provoca e mãos que pegam o que está à frente.
Sentidos para os que os querem.
Do tanto que existe na sombra dele.
Riu e quis escarafunchar mais um pouco.
Não obteve o que desejava.
Respostas não são imediatas, ainda que as queira.
No vinil, no que reluz na escuridão, o tanto que vibra.
Na noite que se avoluma agora, só bruma.
Na verdade que existe aí dentro só desejo.
Sadismo que se converte em êxtase, risada que denuncia.
Olhar que provoca e mãos que pegam o que está à frente.
Sentidos para os que os querem.
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