RASTRO
A água translúcida refletia a lua no crescente.
O céu límpido de constelação nua
Arrepio com pressão, umidade atmosférica.
Ela parou no centro do lago, as roupas finas, claras.
Os cabelos negros caíam na fronte.
As unhas negras enormes seguravam o átame.
Desenhou o pentagrama e se protegeu.
Ainda que estivesse só, sabia do que a acompanhava.
Logo uma serpente se aproximou, enroscou-se e lá ficou imóvel.
Só os olhos brilhavam, refletiam a ancestralidade.
Uma maçã mergulhada em líquido tinto esperava por ela.
Uma mordida, degustação, anseio e vida.
Longe das criaturas noturnas e humanas, ela resplandecia.
Uma coruja clara pousou perto e lá ficou.
O fogo ardia pelas chamas da fogueira.
Alguns ciganos começaram a aparecer.
O som dos violinos tomou o ambiente.
E ela sabia o motivo. Conhecia aquela tribo, aquela gente.
Desfez o círculo. Pôs a saia longa, pegou as castanholas.
Dançou com ele, ganhou vida.
Deixou fluir o que sabia mais do que os outros.
Viva, ela estava assim.
Bebericou o vinho, engoliu com sofreguidão.
Lambeu a boca, deixou escaparar o sorriso.
Os olhos matreiros, brilhavam.
Queimavam como a fogueira.
A madrugada avançada, já não tinha mais certeza de quem era.
O que fazia e o que esperava.
Pegou o chale verde, pôs nos ombros.
Foi embora, levando a serpente e a coruja.
Ao som dos guizos sumiu pela floresta.
domingo, janeiro 30, 2005
terça-feira, janeiro 18, 2005
sexta-feira, dezembro 31, 2004
2005
No doce paladar de colorido frutose,
na mexida e mistura, colabora com sabores.
Mel que encharca os pedaços,
enzima que coaduna vertigens.
No dezembro recheado de iguarias,
as mãos criam o futuro,
transformam o que é estático em vida.
Aqui me preparo para as festas,
para os dias regados de alegria,
congraçamento e família.
Nos dias subsequentes, folia.
Aquela que diz adeus ao passado e
lança flechas, as de esperança em 2005.
A Lua, regente dos próximos dias, do ano que se anuncia,
cria o clima amoroso, aquático, uterino e romântico.
É esperar e viver, intensamente, o que se aproxima...
No doce paladar de colorido frutose,
na mexida e mistura, colabora com sabores.
Mel que encharca os pedaços,
enzima que coaduna vertigens.
No dezembro recheado de iguarias,
as mãos criam o futuro,
transformam o que é estático em vida.
Aqui me preparo para as festas,
para os dias regados de alegria,
congraçamento e família.
Nos dias subsequentes, folia.
Aquela que diz adeus ao passado e
lança flechas, as de esperança em 2005.
A Lua, regente dos próximos dias, do ano que se anuncia,
cria o clima amoroso, aquático, uterino e romântico.
É esperar e viver, intensamente, o que se aproxima...
quinta-feira, dezembro 23, 2004
Faz uns dois meses que eu ando com esse pensamento na caixa de entrada do Outlook. Aliás, eu comumente faço isso com aquilo que me toca e precisa de resposta. Muitas vezes a resposta sai de supetão, no afã, sem revisão, como agora que escrevo movida pela vontade. O ímpeto comanda os dedos, a sensação, uma estranha força que impulsiona o que aparentemente parece adormecido.
A chuva cai torrencialmente, saímos na primeira página de jornal, inundação, alagação, a cidade submersa pelo dilúvio divino em bicas de Natal. Eu não gosto dessa data, nunca gostei. Uma sensação de vazio sempre se apodera e a vontade é de fazer algo que preencha uma estranha tristeza que toma conta. Já pensei em sair por aí e distribuir comida, dar o muito que tenho a quem nada possui. Ainda vou fazer isso, talvez minha alma se compraza e encontre um significado real para a comemoração do dia 25. Para mim, apenas uma data, uma data como muitas forjada por um papa louco que transformou o calendário. Nada além.
Mas não era nada disso que eu ia postar aqui, hoje. Esse pensamento que a Angel Blue publicou no Multiply está aqui desde outubro e por muitas vezes parei para relê-lo, vou deixar para quem aqui parar e chegar até essas minhas mal traçadas linhas:
"Nenhum homem deve passar pela vida sem
experimentar uma vez a saudável, ainda que
entediante, solidão no ermo, dependendo
exclusivamente de si mesmo e, assim,
descobrindo a sua força oculta e verdadeira".
Jack Kerouac
A chuva cai torrencialmente, saímos na primeira página de jornal, inundação, alagação, a cidade submersa pelo dilúvio divino em bicas de Natal. Eu não gosto dessa data, nunca gostei. Uma sensação de vazio sempre se apodera e a vontade é de fazer algo que preencha uma estranha tristeza que toma conta. Já pensei em sair por aí e distribuir comida, dar o muito que tenho a quem nada possui. Ainda vou fazer isso, talvez minha alma se compraza e encontre um significado real para a comemoração do dia 25. Para mim, apenas uma data, uma data como muitas forjada por um papa louco que transformou o calendário. Nada além.
Mas não era nada disso que eu ia postar aqui, hoje. Esse pensamento que a Angel Blue publicou no Multiply está aqui desde outubro e por muitas vezes parei para relê-lo, vou deixar para quem aqui parar e chegar até essas minhas mal traçadas linhas:
"Nenhum homem deve passar pela vida sem
experimentar uma vez a saudável, ainda que
entediante, solidão no ermo, dependendo
exclusivamente de si mesmo e, assim,
descobrindo a sua força oculta e verdadeira".
Jack Kerouac
terça-feira, dezembro 21, 2004
AS COXAS DO CRISTO
Hoje comemora-se o solstício de verão, a entrada propriamente dita da estação. Eu ia postar alguma coisa sobre o tema, mas vou deixar para amanhã. Diante desse texto da Márcia Frazão, foi impossível não sucumbir à luxúria e trazê-lo para cá.
"Quando veio de Portugal, Virgínia trouxe um estranho missal: um caderno com receitas de pães, biscoitos e massas. O marcador era um cristo nú, pendido na sensualidade das coxas cruzadas. Embora crucificado, não demonstrava dor. Cheirava a pão e farinhas. Às vezes, era salgado, outras, doce, e algumas vezes, apimentado. Virgínia beijava-o antes de iniciar qualquer receita do velho missal. Fechava os olhos, suspirava um pouco, dava-lhe um demorado beijo e, depois, com os dedos roliços, acariciava-o. Jesus aprovava... Quando fiz 15 anos, Virgínia chamou-me para fazer um pão. Ofereceu as coxas de Cristo para que eu as tocasse. E foi nesse dia que aprendi que luxúria não é pecado!"
Receita do Pão da Luxúria
Ingredientes:
1 tablete de fermento de pão
1/2 xícara de água morna
1 xícara de batata amassada (cozida)
1/2 xícara de mel
1 colher de chá de sal
1 xícara de leite morno
1 xícara de água de batata
farinha de trigo para deixar a massa elástica
Modo de Fazer:
Dissolva o fermento na água morna e, depois de devidamente dissolvido, junte todos os outros ingredientes. Trabalhe a massa e coloque-a para descansar e crescer. Depois de crescida, transfira-a para uma forma de pão e asse por 45 minutos, em forno bem quente.
Hoje comemora-se o solstício de verão, a entrada propriamente dita da estação. Eu ia postar alguma coisa sobre o tema, mas vou deixar para amanhã. Diante desse texto da Márcia Frazão, foi impossível não sucumbir à luxúria e trazê-lo para cá.
"Quando veio de Portugal, Virgínia trouxe um estranho missal: um caderno com receitas de pães, biscoitos e massas. O marcador era um cristo nú, pendido na sensualidade das coxas cruzadas. Embora crucificado, não demonstrava dor. Cheirava a pão e farinhas. Às vezes, era salgado, outras, doce, e algumas vezes, apimentado. Virgínia beijava-o antes de iniciar qualquer receita do velho missal. Fechava os olhos, suspirava um pouco, dava-lhe um demorado beijo e, depois, com os dedos roliços, acariciava-o. Jesus aprovava... Quando fiz 15 anos, Virgínia chamou-me para fazer um pão. Ofereceu as coxas de Cristo para que eu as tocasse. E foi nesse dia que aprendi que luxúria não é pecado!"
Receita do Pão da Luxúria
Ingredientes:
1 tablete de fermento de pão
1/2 xícara de água morna
1 xícara de batata amassada (cozida)
1/2 xícara de mel
1 colher de chá de sal
1 xícara de leite morno
1 xícara de água de batata
farinha de trigo para deixar a massa elástica
Modo de Fazer:
Dissolva o fermento na água morna e, depois de devidamente dissolvido, junte todos os outros ingredientes. Trabalhe a massa e coloque-a para descansar e crescer. Depois de crescida, transfira-a para uma forma de pão e asse por 45 minutos, em forno bem quente.
quinta-feira, dezembro 09, 2004
UMA LENDA...
Há muitos anos, nas margens do Rio Amazonas, Naiá, uma jovem e bela índia, ficava a admirar e contemplar por longas horas a beleza da Lua branca e o mistério das estrelas. Enquanto o aroma da noite tropical enfeitava aqueles sonhos, a Lua deitava uma luz intensa nas águas, fazendo Naiá subir numa árvore alta para tentar tocar o astro. como não conseguia obter êxtio, ela decidiu subir as montanhas distantes para sentir em suas mãos a maciez aveludada do rosto da Lua, mas novamente falhou. Naiá acreditava que a Lua era um bonito guerreiro - Jaci - , e sonhava em ser noiva dele.
Numa noite, a moça deixou a aldeia, na esperança de realizar seu desejo. Ela tomou o caminho do rio para encontrar a Lua. Refletida no espelho das águas, lá estava ela, imensa, resplandescente. Naiá, em sua inocência, pensou que o astro tivesse vindo se banhar no rio para permitir que fosse tocado. Ela mergulhou nas profundezas das águas, desaparecendo para sempre.
A Lua, sentindo pena daquela jovem vida perdida, transformou Naiá em uma flor gigante - a vitória-régia - com um inebriante perfume e pétalas que se abrem nas águas para receber, em toda sua superfície, a luz da Lua.
Há muitos anos, nas margens do Rio Amazonas, Naiá, uma jovem e bela índia, ficava a admirar e contemplar por longas horas a beleza da Lua branca e o mistério das estrelas. Enquanto o aroma da noite tropical enfeitava aqueles sonhos, a Lua deitava uma luz intensa nas águas, fazendo Naiá subir numa árvore alta para tentar tocar o astro. como não conseguia obter êxtio, ela decidiu subir as montanhas distantes para sentir em suas mãos a maciez aveludada do rosto da Lua, mas novamente falhou. Naiá acreditava que a Lua era um bonito guerreiro - Jaci - , e sonhava em ser noiva dele.
Numa noite, a moça deixou a aldeia, na esperança de realizar seu desejo. Ela tomou o caminho do rio para encontrar a Lua. Refletida no espelho das águas, lá estava ela, imensa, resplandescente. Naiá, em sua inocência, pensou que o astro tivesse vindo se banhar no rio para permitir que fosse tocado. Ela mergulhou nas profundezas das águas, desaparecendo para sempre.
A Lua, sentindo pena daquela jovem vida perdida, transformou Naiá em uma flor gigante - a vitória-régia - com um inebriante perfume e pétalas que se abrem nas águas para receber, em toda sua superfície, a luz da Lua.
sexta-feira, novembro 26, 2004
EM PRETO E BRANCO
O barulho que não se conhece o destino.
A venda negra sucumbe a visão.
O cheiro não identificável.
Boca vermelha e aproximação.
Pronta a sorver e deglutir, descobrir.
Fetiche, preto e branco.
Sensações: as invisíveis, as que estremecem...
O barulho que não se conhece o destino.
A venda negra sucumbe a visão.
O cheiro não identificável.
Boca vermelha e aproximação.
Pronta a sorver e deglutir, descobrir.
Fetiche, preto e branco.
Sensações: as invisíveis, as que estremecem...
sexta-feira, novembro 12, 2004
Assinar:
Postagens (Atom)