sábado, agosto 10, 2002

"Eu não sei quem foi que Deus designou para escrever este nosso roteiro mas, seja lá quem for, com o devido respeito, estamos reivindicando melhores escritores. Todos nós, corações urbanos, que visitamos o humano das cidades, engolimos uma lágrima vez ou outra, e acreditamos nas possibilidades do efêmero, exigimos um melhor texto para o que nos resta de existência".

Miguel Falabella




sexta-feira, agosto 09, 2002

PIRATAS, MTV E FLUMINENSE FM

Fomos ao Rock in Rio Café assistir aos Piratas do Asfalto e um outro grupo de rock Uomini. Bebi alguns gins tônicas e dancei. Foi divertida a epopéia de sair de Petro e me mandar até a Barra. Apesar de parecer distante acabou sendo mais rápido que alguns congestionamentos na hora do rush.
Ao final um grupo de promoções da MTV estava no palco demonstrando um novo gel à base de água para os cabelos, produzido pela L’oreal. Após aquele blá-blá-blá todo, a moça disse: quem gostaria de apresentar o Super Nova com o Edgar? E lá fui eu me candidatando à vaga, subi ao palco. A garota passou o gel, prendeu meu cabelo com uma presilha, e em seguida pediu que eu olhasse pra câmera e falasse o porquê do desejo de apresentar o programa. Ganhei kit com camiseta, bloco e lógico o gel, muito cheiroso por sinal.
Falou pra eu avisar aos amigos. Então, vocês já estão avisados.
O bacana da noite foi a homenagem à volta da Maldita, Fluminense FM!
E pra terminar, depois de falar sobre Bukowski, rabiscação no guardanapo:

Será que volto ao que já foi?
Tempo? Que tempo?
Misto de metal, rock, ska, blues.
A noite e gin.
Tônica e fumaça.
Rock in Rio Café

quarta-feira, agosto 07, 2002

DOS AMIGOS, DOS AFINS...

Sempre encontrei quem trocasse cartas, bilhetes, demonstrasse com palavras o que se passa no íntimo. Aquilo oculto em olhos brilhantes e no toque de língua e maxilar a expressar linguagem.
Há um baú de recortes, clipping de amigos, sentimentos platônicos, reais. Guardado, velando o passado. Fantasmas alegres e poéticos. Linha divisória das manifestações de apreço correndo pelo percurso terreno.
E nesse processo de reeditar a fita, constato que trago para perto os que comungam arte e vivem dela. Marginalmente, profissionalmente. No mapa astral isso é mais que revelado. A herança familiar mira esse mesmo aspecto. Impossível não estar vinculada a esse estado de espírito. O magnetismo agregando semelhantes.
Nada é por acaso. Nem o que sinto. Nem os afins.
E falando neles, hoje ela ligou. Por um convite que fiz e ela não pôde ir. Momento raro. Instante eterno de troca. Para mim sempre será especial, desde o primeiro dia que nossos olhos se cruzaram. Falamos das saudades, acho que faz uns quatro anos que não a vejo, talvez menos...perdi a conta... Fiquei de ligar quando estiver novamente no Rio.
Então, tomaremos o famoso café, que já virou até lenda pelo tempo que sempre marcamos e nunca colabora para o encontro. Farei acontecer.





terça-feira, agosto 06, 2002

Vasculho palavras para dizer o que sinto.
O espírito desarvorado é o que me toma,
incoerência em dizeres que somam desejos.
É contexto volátil e por isso arrebatador.
Impermanência.
Calíope e as outras oito musas da poesia épica.
Hemadríade, nereida, dançarinas na mata subversiva de Pan.
Perséfone a viver no mais profundo mundo escuro.
Escrava de Dioniso, em três dias da mais completa luxúria.
Trago-o para mim ao brindar com tinto, religando-nos ao divino.
Redigimos, inventamos: mimetizando estórias.
Se fosse fácil não teria sentido continuar...

segunda-feira, agosto 05, 2002

.P.O.N.T.U.A.Ç.Ã.O.

Da mesma forma que veio, foi.
Reticências.
Não pôde captar nada além do que deu.
Das faces que compunham aquele corpo,
mais nada ali era humano.
Dois Pontos.
Misto de personagens, extraído de quadrinhos.
Cenários ficcionais. Mocinho cegado pela batalha.
Cryptonita a matar aproximação.
Parágrafo.
Passadas silenciosas na noite, fera à espreita, sem negociação.
Escuridão refletida em olhos negros, alma selvagem sem web cam.
Certezas amparadas na razão. Sentimentos restritos ao quarteirão.
Idade, signos, símbolos, letras: nada conjumina.
Exclamação.
Ele conceituava. Ela escrevia cartas. Nenhuma delas foi enviada.
Ninguém sabe o que foi feito deles.
Ela levou a saia de retalhos. Ele a pena.
Ponto final.

domingo, agosto 04, 2002

Quando as palavras aplacam a fome, apagam a dor, trazem reflexo, injetam sonhos:

"[...}A dele, fome de dentes,
A dela, fome de sentir saudades...
A dele, fome de beijos ardentes,
A dela fome de infantilidades...
A dele, a fome do corpo quente,
A dela, a fome de companhia...
A dele, a fome aguardente...
A dela, fome poesia..."

Luis Tavares



sábado, agosto 03, 2002

Muitas vezes a energia pontua uma troca.
Sim, o que não é visível, o que está além.
Pode ser cisma, um delírio, nuvem de fumaça,
mas no front têm efeito contrário.
É onde a imaginação ganha proporções estranhas,
fugindo da normalidade e gerando um enredo...
Cartas e bilhetes. Chegadas e partidas. Sinais e silêncio.
A antítese conduz dias, esses momentos.
E permito de forma consciente trazer para o material
aquilo que idealizo.
A estória é minha. A compulsão também.

sexta-feira, agosto 02, 2002

A lua sorri pela metade.
O halo é dourado.
Contraste com o negrume celeste.
Primeira madrugada de agosto.