quarta-feira, janeiro 30, 2002
Ah, se eu sei, não nascia, ah, se eu sei, não nascia. A loucura é vizinha da mais cruel sensatez. Engulo a loucura porque ela me alucina calmamente. O anel que tu me deste era de vidro e se quebrou e o amor não acabou, mas em lugar de, o ódio dos que amam. A cadeira me é um objeto. Inútil enquanto a olho. Diga-me por favor que horas são para eu saber que estou vivendo nesta hora. A criatividade é desencadeada por um germe e eu não tenho hoje esse germe mas tenho incipiente a loucura que em si mesma é criação válida. Nada mais tenho a ver com a validez das coisas. Estou liberta ou perdida. Vou-lhes contar um segredo: a vida é mortal. Nós mantemos esse segredo em mutismo cada um diante de si mesmo porque convém, senão seria tornar cada instante mortal. O objeto cadeira sempre me interessou. Olho esta que é antiga, comprada num antiquário, e estilo império; não se poderia imaginar maior simplicidade de linhas, contrastando com o assento de feltro vermelho. Amo os objetos à medida que eles não me amam. Mas se não compreendo o que escrevo a culpa não é minha. Tenho que falar pois falar salva. Mas não tenho uma só palavra a dizer. As palavras já ditas me amordaçaram a boca. O que é que uma pessoa diz à outra? Fora "como vai?" Se desse a loucura da franqueza, que diriam as pessoas às outras? E o pior é o que se diria uma pessoa a si mesma, mas seria a salvação, embora a franqueza seja determinada no nível consciente e o terror da franqueza vem da parte que tem no vastíssimo inconsciente que me liga ao mundo e à criadora inconsciência do mundo. Hoje é dia de muita estrela no céu, pelo menos assim promete esta tarde triste que uma palavra humana salvaria.
Abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo. Mas o segredo, este não vejo nem sinto. A eletrola está quebrada e não viver com música é trair a condição humana que é cercada de música. Aliás, música é uma abstração do pensamento, falo de Bach, de Vivaldi, de Haendel. Só posso escrever se estiver livre, e livre de censura, senão sucumbo. Olho a cadeira estilo império e dessa vez foi como se ela também me tivesse olhado e visto. O futuro é meu enquanto eu viver. No futuro vai ter mais tempo de viver, e, de cambulhada escrever. No futuro, se diz: se eu sei, eu não nascia. Marli de Oliveira, eu não escrevo cartas pra você porque só sei ser íntima. Aliás eu só sei em todas as circunstâncias ser íntima: por isso sou mais uma calada. Tudo o que nunca se fez, far-se-á um dia? O futuro da tecnologia ameaça destruir tudo o que é humano no homem, mas a tecnologia não atinge a loucura; e nela então o humano do homem se refugia. Vejo as flores na jarra: são flores do campo, nascidas sem se plantar, são lindas e amarelas. Mas minha cozinheira disse: mas que flores feias. Só porque é difícil compreender e amar o que é espontâneo e franciscano. Entender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de se amar é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta? A verdade é o resíduo final de todas as coisas, e no meu inconsciente está a verdade que é a mesma do mundo. A Lua é, como diria Paul Éluard, éclatante de silence. Hoje não sei se vamos ter Lua visível pois já se torna tarde e não a vejo no céu. Uma vez eu olhei de noite para o céu circunscrevendo-o com a cabeça deitada para trás, e fiquei tonta de tantas estrelas que se vêem no campo, pois, o céu do campo é limpo. Não há lógica, se se for pensar um pouco, na ilogicidade perfeitamente equilibrada da natureza. Da natureza humana também. O que seria do mundo, do cosmos, se o homem não existisse. Se eu pudesse escrever sempre assim como estou escrevendo agora eu estaria em plena tempestade de cérebro que significa brainstorm. Quem terá inventado a cadeira? Alguém com amor por si mesmo. Inventou então um maior conforto para o seu corpo. Depois os séculos se seguiram e nunca mais ninguém prestou realmente atenção a uma cadeira, pois usá-la é apenas automático. É preciso ter coragem para fazer um brainstorm: nunca se sabe o que pode vir a nos assustar. O monstro sagrado morreu: em seu lugar nasceu uma menina que era sozinha. Bem sei que terei de parar, não por causa de falta de palavras, mas porque essas coisas, e sobretudo as que eu só pensei e não escrevi, não se usam publicar em jornais.
Abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo. Mas o segredo, este não vejo nem sinto. A eletrola está quebrada e não viver com música é trair a condição humana que é cercada de música. Aliás, música é uma abstração do pensamento, falo de Bach, de Vivaldi, de Haendel. Só posso escrever se estiver livre, e livre de censura, senão sucumbo. Olho a cadeira estilo império e dessa vez foi como se ela também me tivesse olhado e visto. O futuro é meu enquanto eu viver. No futuro vai ter mais tempo de viver, e, de cambulhada escrever. No futuro, se diz: se eu sei, eu não nascia. Marli de Oliveira, eu não escrevo cartas pra você porque só sei ser íntima. Aliás eu só sei em todas as circunstâncias ser íntima: por isso sou mais uma calada. Tudo o que nunca se fez, far-se-á um dia? O futuro da tecnologia ameaça destruir tudo o que é humano no homem, mas a tecnologia não atinge a loucura; e nela então o humano do homem se refugia. Vejo as flores na jarra: são flores do campo, nascidas sem se plantar, são lindas e amarelas. Mas minha cozinheira disse: mas que flores feias. Só porque é difícil compreender e amar o que é espontâneo e franciscano. Entender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de se amar é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta? A verdade é o resíduo final de todas as coisas, e no meu inconsciente está a verdade que é a mesma do mundo. A Lua é, como diria Paul Éluard, éclatante de silence. Hoje não sei se vamos ter Lua visível pois já se torna tarde e não a vejo no céu. Uma vez eu olhei de noite para o céu circunscrevendo-o com a cabeça deitada para trás, e fiquei tonta de tantas estrelas que se vêem no campo, pois, o céu do campo é limpo. Não há lógica, se se for pensar um pouco, na ilogicidade perfeitamente equilibrada da natureza. Da natureza humana também. O que seria do mundo, do cosmos, se o homem não existisse. Se eu pudesse escrever sempre assim como estou escrevendo agora eu estaria em plena tempestade de cérebro que significa brainstorm. Quem terá inventado a cadeira? Alguém com amor por si mesmo. Inventou então um maior conforto para o seu corpo. Depois os séculos se seguiram e nunca mais ninguém prestou realmente atenção a uma cadeira, pois usá-la é apenas automático. É preciso ter coragem para fazer um brainstorm: nunca se sabe o que pode vir a nos assustar. O monstro sagrado morreu: em seu lugar nasceu uma menina que era sozinha. Bem sei que terei de parar, não por causa de falta de palavras, mas porque essas coisas, e sobretudo as que eu só pensei e não escrevi, não se usam publicar em jornais.
terça-feira, janeiro 29, 2002
Tenho fixado-me nas idéias de Clarice e essa parece fechar, completamente, com meus pensamentos. Exatamente como me portei até hoje em listas de discussão e agora, aqui, nessa cobra que tem o rabo enfiado na boca, ou nas curvas geométricas perfeitas que dão nome a esse espaço. Então, abusando da sabedoria dela, me rendo a algo que gostaria de ter escrito.
"...eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade."
Clarice Lispector
"...eu só escrevo quando eu quero, eu sou uma amadora e faço questão de continuar a ser amadora. Profissional é aquele que tem uma obrigação consigo mesmo de escrever, ou então em relação ao outro. Agora, eu faço questão de não ser profissional, para manter minha liberdade."
Clarice Lispector
segunda-feira, janeiro 28, 2002
Abri o jornal e dei de cara com a Tecnovilas de Antônio Kleber. Ele, sentado feito Buda, lendo email em seu laptop. Engraçado, porque Aka para mim é um ser realmente do bem. Muita gente diz que ele é do mal, pra mim não. Já tive a oportunidade de conhecer um pouco do aparato high tech que toca cada pedaço de sua casa. E é impressionante o que ele está construindo no interior do estado do Rio. Uma fusão de tecnologias, do velho engenho que produz energia à mais sofisticada engenharia de satélites. Uma fusão que eu já escuto faz tempo, desde que me encontrei com a idéia de comunidades alternativas, auto-sustentáveis. Não aquelas ligadas a religiões e comprometidas com ideais financeiros. Falo das com cunho idealista, preservacionista e ambiental. Esse projeto cabe perfeitamente no que eu entendo por uma sociedade moderna usufruindo tudo aquilo que há na terra e também de todo o conforto que a globalização pode nos oferecer com sua chegada. Nos mantemos ligados, conectados, plugados. Uns com os outros, como num grande sistema amarrado, mas perfeitamente solto, (in)dependente.
Deixei um recado, parabenizando-o pela empreitada. Eu e meus ideais da sombra aquariana. Uma ilha numa infinita teia de aranha, amarrando o mundo ao seu avental. Ainda penso um dia pertencer a essa teia vanguardista, aqui do meio do mato também, distante dos grandes centros que nos parecem engolir. Dessa janela virtual, debruço, e enxergo: ao redor, embaixo, encima, os milhões de pontos, spots na constelação cibernética. Daqui vejo a vida, o mar, o rio, aquela cidade costeira, a grande metrópole, o tudo e o nada, sem limites, sem amarras, sem pressupostos, sem melindres, sem protótipos sociais. Daqui vejo aí, me finco lá e estou, sempre, fazendo parte. Estou presente. É a vida representada por essa lemniscata, o infinito que não cansa nunca de recomeçar.
Deixei um recado, parabenizando-o pela empreitada. Eu e meus ideais da sombra aquariana. Uma ilha numa infinita teia de aranha, amarrando o mundo ao seu avental. Ainda penso um dia pertencer a essa teia vanguardista, aqui do meio do mato também, distante dos grandes centros que nos parecem engolir. Dessa janela virtual, debruço, e enxergo: ao redor, embaixo, encima, os milhões de pontos, spots na constelação cibernética. Daqui vejo a vida, o mar, o rio, aquela cidade costeira, a grande metrópole, o tudo e o nada, sem limites, sem amarras, sem pressupostos, sem melindres, sem protótipos sociais. Daqui vejo aí, me finco lá e estou, sempre, fazendo parte. Estou presente. É a vida representada por essa lemniscata, o infinito que não cansa nunca de recomeçar.
domingo, janeiro 27, 2002
Já falei de Alexey por aqui, então hoje, vai um texto dele falando de coisas que ele entende melhor do que ninguém: Astrologia e Kaos. É uma boa pincelada nas duas matérias e que exemplifica perfeitamente o que eu havia falado de kaos magick. Então, com vocês, Alexey Dodsworth, ou pra quem gosta, Lasher:
"Então eu perguntei: Crer firmemente que uma coisa é algo, a faz ser algo ?
Ele respondeu: Todos os poetas acreditam que sim, & desde inimagináveis eras esta firme crença removeu montanhas; mas muitos não são capazes de crer firmemente em nada."
De 'O Casamento de Céu com o Inferno', William Blake (1794)
Se definir "astrologia" se revela já uma tarefa hercúlea, o que faremos tentando definir "magia"? No mínimo, um trabalho divertido, que só pelo exercício do pensar já nos conduz a algum efeito miraculoso.
Não tenho a dizer nada de complexo, ou fantástico, espero não decepcionar, mas vocês podem encarar magia como a arte de exercitar a vontade. A velha definição de "magia é o poder de exercer a vontade sobre a natureza" cai por terra quando falamos de kaos magick, pois no sistema kaoísta não há diferente entre "homem" e "natureza". Um pode ser encarado como o espelho do outro.
Dentre os vários sistemas de magia, a kaos magick se revela uma divertida e fascinante mixagem de magia, semântica e psicologia, projetada para devastar com as estruturas das "crenças consensuais".
Os sistemas de crenças e de magia, quase todos, elaboram "técnicas" para a magia, e a compreensão do assunto termina sendo quase linear, típica do hemisfério esquerdo do cérebro. Em kaos magick, somos apresentados a um novo vislumbre: a visão do hemisfério direito e sua integração com o esquerdo. O mundo visto não como uma "máquina lógica", mas como um organismo vivo.
Podemos dizer que kaos magick foi "inspirada" pelo artista e mago Austin Osman Spare no início deste século, mas terminou sendo "lapidada" por Peter Carroll, cujo trabalho 'Liber Null & Psychonaut' continua sendo uma obra imperdíavel para quem deseja instaurar o kaos em sua vida :-)
A palavra "kaos" inicialmente amedronta, pois em nossa sociedade ocidental assumiu o simplório significado de "bagunça, desordem, coisa má". O termo "kaos", entretanto, vem do grego e pode ser traduzido como "as possibilidades de todas as coisas".
O primeiro exercício que vocês têm a fazer, portanto, pode ser resumido em resgatar o significado original de "kaos". Se aceitamos enxergar o mundo de forma kaótica, estamos abertos às possibilidades do todo, e se entendemos que "tudo é possível", podemos escolher qual a realidade que naquele momento se mostra mais pertinente.
E o que tudo isso tem a ver com Astrologia? Praticamente, tudo a ver. No mito, Ouranos (o Céu, o Kaos Primordial, o hemisfério direito) manteve relações com Gaia (A Terra, a Ordem Estruturada, o hemisfério esquerdo), e deste casamento surgiram os Doze Titans. Qualquer semelhança com os doze signos do Zodíaco NÃO será uma mera coincidência.
Os "doze signos" são energias primordiais, presentes desde a criação e anteriores a todos os deuses criados. E todos eles - exatamente: TODOS eles - estão dentro de nós, e se manifestam através do anahata chakra (o centro cardíaco), que tem doze pétalas.
Quando nascemos sob a égide de um signo, ou o temos muito poderoso em nosso mapa astral, estamos simplesmente sendo o canal de um destes doze deuses primordiais, as primeiras criaturas da "realidade manifesta". Mas na medida em que vamos expandindo a nossa consciência, descobrimos que podemos, através do exercício da nossa verdadeira vontade, ativar os outros princípios zodiacais.
A partir do momento em que compreendo que me torno apenas o personagem de uma grande peça, descubro que posso fazer alterações no "script" e me tornar quem eu quiser, a depender das circunstâncias e conveniências.
Quando eu fazia teatro, lembro-me bem quando minha diretora comentou uma das grandes vantagens do ator: "personagens podem fazer coisas que a própria pessoa não teria coragem de fazer". A partir do momento em que o indivíduo se desprende, ou seja, se desidentifica do "ego" que ele JULGA ser real, ele descobre que pode tornar qualquer coisa real.
Inicialmente, a minha reação a estas percepções foi típica de um signo fixo, que detesta a idéia de se desprender da própria personalidade: "quer dizer que eu vou passar a minha vida representando?"
A resposta foi como uma ducha de água fria: "Meu querido, você representa desde que nasceu. Nada disso que você acha que "é" você realmente "o é". Você se fixa apenas na ponta do iceberg, mas o que há por debaixo é o Oceano. Você pode se tornar tudo o que você quiser, na hora que você quiser, a partir do momento em que se desapegar de si mesmo e de suas certezas absolutas".
E quem disse que diretoras de teatro não se fazem sábias como avatares? :-)
Podemos definir o objetivo de Kaos Magick + Astrologia da seguinte forma:
Se eu compreendo que existem doze poderes primordiais (eu poderia dizer que são 98328558, mas seria terrível para decorar), e que eu passei a minha vida acessando um ou dois, mas que posso acessar TODOS, na hora que eu quiser, então me torno senhor da minha realidade.
Cabe salientar que o sistema kaoísta busca fundamentalmente A PRÁTICA. De nada adianta a teoria se o estudante não praticar.
A magia do kaos pode ser uma forma de magia cerimonial, uma disciplina espiritual tão ou mais antiga do que a religião, na qual o ritual pode ser usado para desenvolver estados de consciência suficientemente poderosos a ponto de poderem causar mudanças no interior da psique do mago ou no universo exterior (já que um é apenas espelho do outro). A magia cerimonial pressupõe uma intenção mágica, uma vontade por parte do mago de tornar um desejo realidade.
O mago se revela, quase sempre, um "histérico histórico". Quase todos tiveram um relacionamento difícil com os seguidores de religiões. Religiões geralmente tentam definir os desejos de seus membros dentro de uma estutura de adequação justificada pela sançãode leis morais. A magia tende a permitir que a descoberta da moralidade seja uma aventura pessoal.
A kaos magick rejeita firmemente qualquer tradicional discriminação da magia em branca, cinza e negra, uma vez que o que define que uma coisa seja "boa" e outra seja "má" é simplesmente o padrão moral vigente de uma época e/ou lugar. E como o kaoísmo considera que cada indivíduo vive numa realidade incopiável e eternamente mutante, fica difícil elaborar qualquer dogma moral que não seja o próprio criado pelo indivíduo.
E como o kaoísmo encara tudo como uma grande irrealidade, não estamos preocupados se "isso" ou "aquilo" "é bom" ou "não é". Em nosso mundo, o mundo de Samsara, por mais que tentemos SEMPRE haverá prazer & dor, paz & guerra, luz & sombra. Qualquer busca que almeje apenas luz, amor e passarinhos estará fadada à decepção, pois a outra polaridade da Natureza (esta senhora que não se importa com roupas) estará sempre abrindo caminho.
Encarem kaos magick como uma FORMA DE VER.
O kaoísmo "vê" o Universo como um grande plasma de possibilidades. Desta forma, tudo se percebe como um sonho, "nada é" verdadeiro. E se tudo pode ser encarado como um sonho, cada um de nós pode, enquanto praticantes, gerar sonhos dentro de sonhos, obtendo resultados práticos. A única prerrogativa pode ser encarada assim: só não se identifique demasiadamente com nada. Viva aquela nova realidade, mas saiba que ela terá um tempo, e que o importante neste tempo será o regozijo.
O primeiro exercício kaoísta, e consideravelmente um dos mais importantes e difíceis, pode ser chamado de ARTE DESCONSTRUTIVISTA:Consiste em diluir Samsara (a Roda que Eternamente Gira), ou falando numa linguagem terrestre, consiste em eliminar os cercadinhos limitados criados pela existência do verbo "ser".
Complicado de entender? Não, facílimo!
Se eu digo que algo "é", estou limitando este algo a um cercadinho bem definido, e criando também uma série de coisas que "não são".
Em Astrologia, quanto mais o verbo "ser" estiver abolido, tanto melhor. Nada "é", mas "tudo se vê", ou podemos usar o "como se".
Vejam a diferença:
PRISÃO AO VERBO "SER":
"Seu mapa, com Áries dominante, mostra que você É impulsivo. E É intempestivo, também".
DESCONSTRUINDO A REALIDADE DO MAPA:
"Com Áries dominante, você se percebe impulsivo, sente-se como se motivado a reagir de forma intempestiva."
A mudança na forma de expressão pode parecer apenas uma bobagem semântica. Só que "palavras" podem ser encaradas como um grande instrumento do mago. A forma de falar expressa a forma de ver. No primeiro texto, temos uma visão limitada que rotula, que caracteriza e aprisiona. No segundo, o astrólogo apresenta à pessoa a idéia de TUDO O QUE ELA VIVE DERIVA DA FORMA COMO ELA SE PERCEBE E PERCEBE O MUNDO.
A forma como pensamos e nos expressamos define a realidade em que vivemos. Quanto mais eu digo que "isso é", "aquilo é" ou "eu sou", acrescentando adjetivos e qualidades ou defeitos ao "isso" ou "aquilo", ou mesmo a "mim", mais difícil será romper com o Sonho da Dualidade, próprio do mundo material.
Releiam todo este texto e descubram que o termo "é" foi abolido dele, e foi proposital. Vocês encontrarão "sendo" (um "ser contínuo", que pressupõe um final, pois todo verbo no gerúndio encontra um momento final), "seria" (uma probabilidade), e, eventualmente, "será", que também é um equívoco semântico proposital, pois quando eu digo que "será", estou criando uma realidade.
O exercício que kaos magick propõe a vocês envolve muita auto-observação: Quantas vezes vocês usam o verbo "ser" por hora?
Quantas vezes vocês estreitam a realidade e limitam os campos de visão, afirmando categoricamente que algo "é" ou "não é"? E mais: quantas vezes vocês usam termos como "categoricamente", "indubitavelmente", "com certeza" ou "sem dúvida", ou mesmo coisas similares? Vocês estão certos de que o que disseram pode ser visto como "categórico" ou "indubitável"? Quanto mais certos estiverem, mais vocês estarão em perigo :-))
In Pandemonium,
Alexey Dodsworth
Consultoria Astrológica
Associação Cultural Labirinto
(71)9116-1404
**********************************
"Então eu perguntei: Crer firmemente que uma coisa é algo, a faz ser algo ?
Ele respondeu: Todos os poetas acreditam que sim, & desde inimagináveis eras esta firme crença removeu montanhas; mas muitos não são capazes de crer firmemente em nada."
De 'O Casamento de Céu com o Inferno', William Blake (1794)
Se definir "astrologia" se revela já uma tarefa hercúlea, o que faremos tentando definir "magia"? No mínimo, um trabalho divertido, que só pelo exercício do pensar já nos conduz a algum efeito miraculoso.
Não tenho a dizer nada de complexo, ou fantástico, espero não decepcionar, mas vocês podem encarar magia como a arte de exercitar a vontade. A velha definição de "magia é o poder de exercer a vontade sobre a natureza" cai por terra quando falamos de kaos magick, pois no sistema kaoísta não há diferente entre "homem" e "natureza". Um pode ser encarado como o espelho do outro.
Dentre os vários sistemas de magia, a kaos magick se revela uma divertida e fascinante mixagem de magia, semântica e psicologia, projetada para devastar com as estruturas das "crenças consensuais".
Os sistemas de crenças e de magia, quase todos, elaboram "técnicas" para a magia, e a compreensão do assunto termina sendo quase linear, típica do hemisfério esquerdo do cérebro. Em kaos magick, somos apresentados a um novo vislumbre: a visão do hemisfério direito e sua integração com o esquerdo. O mundo visto não como uma "máquina lógica", mas como um organismo vivo.
Podemos dizer que kaos magick foi "inspirada" pelo artista e mago Austin Osman Spare no início deste século, mas terminou sendo "lapidada" por Peter Carroll, cujo trabalho 'Liber Null & Psychonaut' continua sendo uma obra imperdíavel para quem deseja instaurar o kaos em sua vida :-)
A palavra "kaos" inicialmente amedronta, pois em nossa sociedade ocidental assumiu o simplório significado de "bagunça, desordem, coisa má". O termo "kaos", entretanto, vem do grego e pode ser traduzido como "as possibilidades de todas as coisas".
O primeiro exercício que vocês têm a fazer, portanto, pode ser resumido em resgatar o significado original de "kaos". Se aceitamos enxergar o mundo de forma kaótica, estamos abertos às possibilidades do todo, e se entendemos que "tudo é possível", podemos escolher qual a realidade que naquele momento se mostra mais pertinente.
E o que tudo isso tem a ver com Astrologia? Praticamente, tudo a ver. No mito, Ouranos (o Céu, o Kaos Primordial, o hemisfério direito) manteve relações com Gaia (A Terra, a Ordem Estruturada, o hemisfério esquerdo), e deste casamento surgiram os Doze Titans. Qualquer semelhança com os doze signos do Zodíaco NÃO será uma mera coincidência.
Os "doze signos" são energias primordiais, presentes desde a criação e anteriores a todos os deuses criados. E todos eles - exatamente: TODOS eles - estão dentro de nós, e se manifestam através do anahata chakra (o centro cardíaco), que tem doze pétalas.
Quando nascemos sob a égide de um signo, ou o temos muito poderoso em nosso mapa astral, estamos simplesmente sendo o canal de um destes doze deuses primordiais, as primeiras criaturas da "realidade manifesta". Mas na medida em que vamos expandindo a nossa consciência, descobrimos que podemos, através do exercício da nossa verdadeira vontade, ativar os outros princípios zodiacais.
A partir do momento em que compreendo que me torno apenas o personagem de uma grande peça, descubro que posso fazer alterações no "script" e me tornar quem eu quiser, a depender das circunstâncias e conveniências.
Quando eu fazia teatro, lembro-me bem quando minha diretora comentou uma das grandes vantagens do ator: "personagens podem fazer coisas que a própria pessoa não teria coragem de fazer". A partir do momento em que o indivíduo se desprende, ou seja, se desidentifica do "ego" que ele JULGA ser real, ele descobre que pode tornar qualquer coisa real.
Inicialmente, a minha reação a estas percepções foi típica de um signo fixo, que detesta a idéia de se desprender da própria personalidade: "quer dizer que eu vou passar a minha vida representando?"
A resposta foi como uma ducha de água fria: "Meu querido, você representa desde que nasceu. Nada disso que você acha que "é" você realmente "o é". Você se fixa apenas na ponta do iceberg, mas o que há por debaixo é o Oceano. Você pode se tornar tudo o que você quiser, na hora que você quiser, a partir do momento em que se desapegar de si mesmo e de suas certezas absolutas".
E quem disse que diretoras de teatro não se fazem sábias como avatares? :-)
Podemos definir o objetivo de Kaos Magick + Astrologia da seguinte forma:
Se eu compreendo que existem doze poderes primordiais (eu poderia dizer que são 98328558, mas seria terrível para decorar), e que eu passei a minha vida acessando um ou dois, mas que posso acessar TODOS, na hora que eu quiser, então me torno senhor da minha realidade.
Cabe salientar que o sistema kaoísta busca fundamentalmente A PRÁTICA. De nada adianta a teoria se o estudante não praticar.
A magia do kaos pode ser uma forma de magia cerimonial, uma disciplina espiritual tão ou mais antiga do que a religião, na qual o ritual pode ser usado para desenvolver estados de consciência suficientemente poderosos a ponto de poderem causar mudanças no interior da psique do mago ou no universo exterior (já que um é apenas espelho do outro). A magia cerimonial pressupõe uma intenção mágica, uma vontade por parte do mago de tornar um desejo realidade.
O mago se revela, quase sempre, um "histérico histórico". Quase todos tiveram um relacionamento difícil com os seguidores de religiões. Religiões geralmente tentam definir os desejos de seus membros dentro de uma estutura de adequação justificada pela sançãode leis morais. A magia tende a permitir que a descoberta da moralidade seja uma aventura pessoal.
A kaos magick rejeita firmemente qualquer tradicional discriminação da magia em branca, cinza e negra, uma vez que o que define que uma coisa seja "boa" e outra seja "má" é simplesmente o padrão moral vigente de uma época e/ou lugar. E como o kaoísmo considera que cada indivíduo vive numa realidade incopiável e eternamente mutante, fica difícil elaborar qualquer dogma moral que não seja o próprio criado pelo indivíduo.
E como o kaoísmo encara tudo como uma grande irrealidade, não estamos preocupados se "isso" ou "aquilo" "é bom" ou "não é". Em nosso mundo, o mundo de Samsara, por mais que tentemos SEMPRE haverá prazer & dor, paz & guerra, luz & sombra. Qualquer busca que almeje apenas luz, amor e passarinhos estará fadada à decepção, pois a outra polaridade da Natureza (esta senhora que não se importa com roupas) estará sempre abrindo caminho.
Encarem kaos magick como uma FORMA DE VER.
O kaoísmo "vê" o Universo como um grande plasma de possibilidades. Desta forma, tudo se percebe como um sonho, "nada é" verdadeiro. E se tudo pode ser encarado como um sonho, cada um de nós pode, enquanto praticantes, gerar sonhos dentro de sonhos, obtendo resultados práticos. A única prerrogativa pode ser encarada assim: só não se identifique demasiadamente com nada. Viva aquela nova realidade, mas saiba que ela terá um tempo, e que o importante neste tempo será o regozijo.
O primeiro exercício kaoísta, e consideravelmente um dos mais importantes e difíceis, pode ser chamado de ARTE DESCONSTRUTIVISTA:Consiste em diluir Samsara (a Roda que Eternamente Gira), ou falando numa linguagem terrestre, consiste em eliminar os cercadinhos limitados criados pela existência do verbo "ser".
Complicado de entender? Não, facílimo!
Se eu digo que algo "é", estou limitando este algo a um cercadinho bem definido, e criando também uma série de coisas que "não são".
Em Astrologia, quanto mais o verbo "ser" estiver abolido, tanto melhor. Nada "é", mas "tudo se vê", ou podemos usar o "como se".
Vejam a diferença:
PRISÃO AO VERBO "SER":
"Seu mapa, com Áries dominante, mostra que você É impulsivo. E É intempestivo, também".
DESCONSTRUINDO A REALIDADE DO MAPA:
"Com Áries dominante, você se percebe impulsivo, sente-se como se motivado a reagir de forma intempestiva."
A mudança na forma de expressão pode parecer apenas uma bobagem semântica. Só que "palavras" podem ser encaradas como um grande instrumento do mago. A forma de falar expressa a forma de ver. No primeiro texto, temos uma visão limitada que rotula, que caracteriza e aprisiona. No segundo, o astrólogo apresenta à pessoa a idéia de TUDO O QUE ELA VIVE DERIVA DA FORMA COMO ELA SE PERCEBE E PERCEBE O MUNDO.
A forma como pensamos e nos expressamos define a realidade em que vivemos. Quanto mais eu digo que "isso é", "aquilo é" ou "eu sou", acrescentando adjetivos e qualidades ou defeitos ao "isso" ou "aquilo", ou mesmo a "mim", mais difícil será romper com o Sonho da Dualidade, próprio do mundo material.
Releiam todo este texto e descubram que o termo "é" foi abolido dele, e foi proposital. Vocês encontrarão "sendo" (um "ser contínuo", que pressupõe um final, pois todo verbo no gerúndio encontra um momento final), "seria" (uma probabilidade), e, eventualmente, "será", que também é um equívoco semântico proposital, pois quando eu digo que "será", estou criando uma realidade.
O exercício que kaos magick propõe a vocês envolve muita auto-observação: Quantas vezes vocês usam o verbo "ser" por hora?
Quantas vezes vocês estreitam a realidade e limitam os campos de visão, afirmando categoricamente que algo "é" ou "não é"? E mais: quantas vezes vocês usam termos como "categoricamente", "indubitavelmente", "com certeza" ou "sem dúvida", ou mesmo coisas similares? Vocês estão certos de que o que disseram pode ser visto como "categórico" ou "indubitável"? Quanto mais certos estiverem, mais vocês estarão em perigo :-))
In Pandemonium,
Alexey Dodsworth
Consultoria Astrológica
Associação Cultural Labirinto
(71)9116-1404
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sábado, janeiro 26, 2002
Falei da Clarice anteontem, que havia encontrado um texto que fechava com o delírio de Pessoa e Manoel de Barros, então lá vai:
'Sou espontânea. Mas tenho uma espontaneidade controlada. Escrevo do modo que escrevo porque é a maneira como foi concebido e não saberia dizer de outro modo. Não sou uma pessoa que possa relatar uma idéia passada. Não sei pôr no papel uma coisa que não estou sentindo mais".
E é por aí mesmo. Estive lendo, hoje pela manhã, um comentário sobre as mulheres histéricas e confesso, deu vontade de escrever e dar meu pitaco. Então, ensaiei, ainda na casa do meu irmão, uma ídéia que surgiu. Vou colar abaixo, da maneira como foi saindo, sem revisão ortográfica, sem acentos, sem nada...
Ainda em ritmo emprestado fui ler emails e lá achei um novo blog, chama-se Clube da Comédia. Ou melhor, o moço me achou, achou meu endereço eletrônico. As coisas nos chegam e eu deixo que elas entrem, comecem a fazer parte. O novo acaba sendo primordial para a reciclagem, para a tal da troca que nos dê subsídios, que plante algo diferente e faça nascer sinapses infantes, que antes estavam em estado embrionário.
Estive no Udi e encontrei uma alegoria entre mulheres histéricas e verdades ditas. Na mesma hora tive vontade de retrucar e deixar lá um recado, mas achei melhor me manifestar aqui, na minha casa. Essa semana andei pensando sobre a função dos blogs...a função catártica, libertária, onde se diz o que quer e não se está preso a comentário seguinte algum, muito diferente de listas de discussão. Acho que por isso passei a gostar mais daqui...
Ana já havia me dito que esse 'bichinho' acaba viciando. Então, estou aqui, viciando-me. O problema é tentar evitar que do súbito encontro vire compulsão. Isto sinaliza para a vida dos grandes gênios da humanidade, todos com algum aspecto compulsivo. Algo que dê prazer, efeito orgástico, como chocolate. A inspiração pura, refrescante, de mostrar que estamos vivos, vivos de paixão, da paixão que nos leva a real compulsão.
Voltando a idéia das mulheres histéricas, sei não. Sou implicante para aturar histéricos, independente do sexo que tenham. E dizer a verdade, no auge da raiva ou da mágoa, ou de qualquer sentimento que nos tire dos limites da tolerância, acabam produzindo essa reação de pôr a boca no trombone, literalmente. Dessa forma, limitar a verdade a estados histéricos e dirigi-los a um aspecto feminino, a mim soou feio, muito feio. É a própria degradação da espécie. Melhor seria falar do estado histérico, o que leva as pessoas a isso, do que limitar esse efeito ao feminino. Ou ainda, expurgar seus demônios sem precisar da histeria. Uma coisa independe da outra, principalmente se for conivente com aquilo que sente. A verdade é dura, crua, melhor dita, do que engolida.
De sapos pra engolir a gente já tem muitos, não precisa de mais um. E muito menos arrumar desculpas para justificar a falta de coragem.
'Sou espontânea. Mas tenho uma espontaneidade controlada. Escrevo do modo que escrevo porque é a maneira como foi concebido e não saberia dizer de outro modo. Não sou uma pessoa que possa relatar uma idéia passada. Não sei pôr no papel uma coisa que não estou sentindo mais".
E é por aí mesmo. Estive lendo, hoje pela manhã, um comentário sobre as mulheres histéricas e confesso, deu vontade de escrever e dar meu pitaco. Então, ensaiei, ainda na casa do meu irmão, uma ídéia que surgiu. Vou colar abaixo, da maneira como foi saindo, sem revisão ortográfica, sem acentos, sem nada...
Ainda em ritmo emprestado fui ler emails e lá achei um novo blog, chama-se Clube da Comédia. Ou melhor, o moço me achou, achou meu endereço eletrônico. As coisas nos chegam e eu deixo que elas entrem, comecem a fazer parte. O novo acaba sendo primordial para a reciclagem, para a tal da troca que nos dê subsídios, que plante algo diferente e faça nascer sinapses infantes, que antes estavam em estado embrionário.
Estive no Udi e encontrei uma alegoria entre mulheres histéricas e verdades ditas. Na mesma hora tive vontade de retrucar e deixar lá um recado, mas achei melhor me manifestar aqui, na minha casa. Essa semana andei pensando sobre a função dos blogs...a função catártica, libertária, onde se diz o que quer e não se está preso a comentário seguinte algum, muito diferente de listas de discussão. Acho que por isso passei a gostar mais daqui...
Ana já havia me dito que esse 'bichinho' acaba viciando. Então, estou aqui, viciando-me. O problema é tentar evitar que do súbito encontro vire compulsão. Isto sinaliza para a vida dos grandes gênios da humanidade, todos com algum aspecto compulsivo. Algo que dê prazer, efeito orgástico, como chocolate. A inspiração pura, refrescante, de mostrar que estamos vivos, vivos de paixão, da paixão que nos leva a real compulsão.
Voltando a idéia das mulheres histéricas, sei não. Sou implicante para aturar histéricos, independente do sexo que tenham. E dizer a verdade, no auge da raiva ou da mágoa, ou de qualquer sentimento que nos tire dos limites da tolerância, acabam produzindo essa reação de pôr a boca no trombone, literalmente. Dessa forma, limitar a verdade a estados histéricos e dirigi-los a um aspecto feminino, a mim soou feio, muito feio. É a própria degradação da espécie. Melhor seria falar do estado histérico, o que leva as pessoas a isso, do que limitar esse efeito ao feminino. Ou ainda, expurgar seus demônios sem precisar da histeria. Uma coisa independe da outra, principalmente se for conivente com aquilo que sente. A verdade é dura, crua, melhor dita, do que engolida.
De sapos pra engolir a gente já tem muitos, não precisa de mais um. E muito menos arrumar desculpas para justificar a falta de coragem.
quinta-feira, janeiro 24, 2002
Uma trovoada, um raio, boom....e lá se foi meu modem....
Estou aqui no irmãozinho dando um alô pra vocês. Eu volto...
Achei coisas de Clarice Lispector que se propagaram feito bolhas, ondas, num lago estagnado e pacífico.
Lembrei dela, de seus olhos azuis.
Ganhei uma mandala, um sol, doze raios, um pentagrama no meio. Duas luas cercam a estrela.
Presente que foi posto na prosperidade seguindo os costumes chineses. Chegou pelo correio, de sopetão. Coisas que só os amigos fazem...afagos, carinhos, cuidados. Coisa boa ser querida pelos que queremos.
por hoje é só, to correndo contra o tempo.
beijos, vejo vocês logo...
Estou aqui no irmãozinho dando um alô pra vocês. Eu volto...
Achei coisas de Clarice Lispector que se propagaram feito bolhas, ondas, num lago estagnado e pacífico.
Lembrei dela, de seus olhos azuis.
Ganhei uma mandala, um sol, doze raios, um pentagrama no meio. Duas luas cercam a estrela.
Presente que foi posto na prosperidade seguindo os costumes chineses. Chegou pelo correio, de sopetão. Coisas que só os amigos fazem...afagos, carinhos, cuidados. Coisa boa ser querida pelos que queremos.
por hoje é só, to correndo contra o tempo.
beijos, vejo vocês logo...
terça-feira, janeiro 22, 2002
Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida à
nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Mário Quintana
nossa própria imagem e semelhança e vestir-se com todas as cores e experimentar todos os sabores e entregar-se a todos os amores sem preconceito nem pudor.
Mário Quintana
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