segunda-feira, abril 29, 2002


O domingo foi feito de pequenas ações, uma preguiça contagiante trazida pelo fog que entrava pelas janelas e dizia da chegada de uma mudança climática. Os dias têm sido ensolarados e com cara de verão, secos. Mas, ontem, o tom pálido coloriu os pinheiros lá fora, produzindo aquele aspecto bruxuleante londrino.
Petrópolis têm clima europeu. Conserva essa atmosfera colonizada pelos alemães e prova sua origem por meio dos transeuntes de traços finos, olhos azuis e cabelos naturalmente loiros, sem tinta. É a singularidade que caracteriza cada parte desse nosso estado, desse país de extensão continental.
Tentei modificar o título do blog, pedi socorro a Débora, mas o blogger não colaborou comigo. Continuo com Um Dia de Sol na Suécia. Tentei pôr a Quarta Dimensão, mas não entrou. Pus reticências e ele também não aceitou. O jeito foi me conformar com a falta de sincronicidade entre o que escrevo e posto e o que o blogger tem vontade de fazer. Acabo ficando à mercê das engenhocas eletrônicas.
Sempre visitando a Porta Lateral descobri o Posta Restante. Confesso que foi um prazer encontrar uma Rosana que nos toca e enche de sentido o dia. Sensibilidade, percepção, escrita gostosa. Temos identificação com determinados blogs, pessoas. E tenho procurado aqueles que se afinam comigo. Gostaria de ter tempo para navegar mais e me aventurar por outros sites, descobrir outros portos, ancoradouros. Por enquanto, engatinho nesse espaço, estou aprendendo com a ajuda dos amigos, a construir uma página confortável e aconchegante para os que vêm até aqui espiar minhas idéias descompassadas. Mas, confesso, que isso tem me dado um estranho prazer. Dividir o que sinto e receber respostas de gente que eu nem conheço. É divertido esse domínio público que interage. O voyeurismo saudável que acompanha cada um de nós.
Então, deixo nessa pequena janela as minhas mal traçadas linhas, as idéias soltas que vão ganhando vida pelo tamborilar dos dedos no teclado, compartilhando mais um dia aí na sua telinha de computador...




sábado, abril 27, 2002



QUARTA DIMENSÃO

Um dos assuntos que realmente mexe comigo é a Magick. E, lendo um texto sobre esse assunto, uma explanação completa, lúcida e abrangente sobre o tema Quarta Dimensão, resolvi trazer para esse espaço um pouco das bem elaboradas idéias de Guerrero. Até hoje não sei o nome verdadeiro dele, o conheço há alguns anos das listas de magia da net. Por algum tempo estivemos mais próximos e pude desfrutar o muito do conhecimento que ele têm a oferecer. Então, divido com vocês, as idéias imperdíveis dele:

Uma das coisas que noto na Internet é o problema da significação.
As palavras guardam sentidos e signficados amplos, alguns deles comuns, o que permite a comunicação, mas muitas vezes termos são usados indicando eventos e fenômenos muito diferentes , mas não se percebe isso e pode até mesmo surgir uma contenda devido a essa confusão.

É interessante que na NET não temos o contato visual com as pessoas, assim as palavras transmitem seu sentido com mais força, pois não há tons de voz, gestual e tudo mais que há numa comunicação "ao vivo" ..

Isto coloca a palavra na net numa condição interessante, pois embora enquanto palavra seja fria, no construir de frases estilos se revelam e aos poucos vamos conhecendo algo das pessoas que escrevem suas mensagens na NET , como são, o que pensam, o que sentem, mesmo que acreditem estar representando um papel ou fingindo algo, ainda assim, se observarmos bem, o estilo de escrever, os termos escolhidos, revelam muito da realidade desta pessoa.

Esta característica da NEt é muito interessante.

MAs em toda relação, mesmo virtual , pode acontecer uma relação onde consigamos nos deslocar e entender a outra pessoa pelo que ela expressa, ou querermos limitar a comunicação a nossos próprios referenciais.

Assim temos na NET o que temos também no mundo, os (as) donos da Verdade, que não debatem um tema, impõe suas verdades, são incapazer de aceitar que há muitas abordagens possíveis da realidade, ainda estão presos (as) a idéia de "uma verdade, um deus e um rei" .

Entretanto vivemos uma realidade onde hoje sabemos que o eletron é partícula e onda ,o fóton é partícula e onda, conceitos antes tida por nunca confluentes .

Confusão de termos.

Tenho observado isso acontecer com a definição de Quarta Dimensão.

O termo quarta dimensão começou a ser usado por certos movimentos que se apresentam como espiritualistas, designa via de regra um estado mais sutil, mais 'espiritualizado" da existência, um dimensão além dessa, para onde o planeta estaria caminhando e após as transformaçòes globais, que agora a maior parte destes movimentos marca para 2012 ( já garantiram que seria o eclipse de 99, já garantiram. que seria em outras datas) os(as) '" escolhidos"(as) as pessoas "evoluídas" iriam para esta quarta dimensão, esta Terra da Quarta dimensão , considerada "superior" evolucionalmente a esta na qual estamos.

Existem vários tratados do meio ocultista que definem como Quarta Dimensão, um estado de energia mais sutil, o que chamam de espiritualizado, para o qual o planeta estaria se encaminhando , muitos movimentos new age e similares , que pregam a "espiritualização" do planeta defendem a idéia que grandes transformações ocorreram no planeta e como resultado dessa transformação parte da humanidade vai pelo ralo e os (as) "bons e salvos" viveram num mundo "perfeito" , 'idilíaco" na Quarta Dimensão.

Em várias versões dessas histórias haverá também um planeta xupão, X, (Xuxa?) que volta e meia alguém anuncia que a Nasa já sabe, embora a comunidade científica de astronomia em todo o mundo, que é capaz hoje de mapear planetas em sistemas solares distantes, nada deste estilo viu no céu. PAra este planeta irão os "maus' , onde recomeçarão tudo.

Interessante como tais histórias ainda estão dentro do juízo final, da "Nova Jerusalém" para os eleitos e do "lugar de choro e ranger de dentes " para os "infiéis" .

Não vou debater sobre a validade essa história, o tema aqui é quarta dimensão.

Pois para os físicos e cientistas em geral, como para as pessoas que tem na ciência fornecedor de paradigmas, quarta dimensão tem outro sentido, outra signficação.

A quarta dimensão é outro eixo desta realidade, é o tempo, que não é uma tela imutável sobre a qual a realidade se projeta, mas é algo dinâmico, algo relativo que se manifesta de forma diferente em diferentes lugares( isto já foi comprovado experimentalmente, em alta velocidade e na proximidade de campos gravitacionais intensos o tempo sofre alteração, um relógio num foguete marca o tempo com ligeira diferença de seu igual na Terra).

Este contínuo espaço tempo surge para a ciência pelos trabalhos de Einstein, uma revolução no pensamento humano que lança raízes em trabalhos anteriores como de Maxxwell e Faraday, que estudando os fenômenos elétricos e magnéticos os quais não podiam ser descritos com eficiência pelos modelos newtonianos introduziram o conceito de campo que já começa a modificar a abordagem da realidade.

Einstein publica em 1905 dois artigos que marcam uma revolução na concepção científica da realidade.

Einstein construiu um estrutura comum para a eletrodinâmica e a mecânica .
Esta teoria unifica e complementa a estrutura da física clássica, entretanto lança profundas e drásticas transformações nos conceitos usuais de tempo e espaço.

Pela teoria da relatividade o espaço não é tridimensional, algo que vem do senso comum e de limites perceptivos nossos, alega também que o tempo não é uma entidade isolada.
Espaço e Tempo estão intimamente vinculados , formando um continuum quadridimensional, o espaço /tempo.
Na teoria da relatividade tempo e espaço estão inter relacionados dinamicamente.

Derruba-se aqui o "tempo fixo universal" o " fluxo universal do tempo" proposto por Newton.

Observadores diferentes ordenarão diferente os eventos no tempo se se moverem a diferentes velocidades relativamente aos eventos observados.

Eventos observados como simultâneos para um observador podem ocorrer em diferentes sequências temporais por outros observadores.

Espaço absoluto, palco dos eventos, como o tempo absoluto, da teoria newtoniana são postos de lado , espaço e tempo são meros elementos da linguagem utilizados por um observador particular para descrever os fenômenos observados.

Os conceitos de espaço e tempo são tão fundamentais na nossa descrição do mundo que ao mudá-los tudo mudou, todas as abordagens científicas da natureza foram revistas e os referenciais clássicos, newtonianos e cartesianos que usavamos para descrever a realidade estão, ainda hoje, sofrendo profunda modificação.

Algo interessante é que esta nova compreensão da realidade que está surgindo da física e de outros campos da ciência, não é tão "nova" assim, pois possui profunda semelhança com o que já foi dito por místicos, magistas , xamãs há eras atras, a ciência indo ao coração da existência encontra uma realidade muito próxima de um Taoismo ou Xamanismo e bem distante das concepções das religiòes dominantes, com seus deuses dominadores e suas verdades prontas a favorecer os ditadores de plantão.

Entretanto existem pessoas que ainda insistem em visões da realidade presas aos paradigmas newtonianos e cartesianos, isto se vê em muitos ramos de magia, que nos séculos passados, quiseram dar "ares científicos" a magia e misturaram teorias diversas gerando uma pretensa explicação da realidade, temos um neodarwinismo espiritual em muitas cosmogêneses e antropogêneses, temos muitas "explicações'" mágica oriundas de uma tentativa de casar a concepção de mundo newtoniana cartesiana com rudimentos de magia.

Vejo que o mesmo acontece com a mistura com religião, da magia, as pessoas ficam vendo anjos e demônios em entes de outras realidades, ficam projetando suas fantasias em algo que é mais complexo e é também bem distinto da abordagem religiosa como da ciência newtoniana..

A maior parte das pessoas ainda não assimilou essa nova descrição da realidade, ainda não transmutou seus paradigmas para esta nova abordagem da realidade, embora possam até usar os termos "quÂntico" , "relatividade" , "partícula onda" ainda o fazem com "interpretações pessoais" ou seja , dão prá esses termos signficados que correspondem a seu "achismo" não ao fato científico que querem demonstrar.

EStou afirmando que a maior parte das pessoas não absorveu esses novos paradigmas e suas consequências na realidade comum , no cotidiano, trabalho com isso, dou cursos e treinamentos de apoio a mudanças de paradigmas para implantação de sistemas operacionais sustentáveis e de melhoria contínua em empresas de vários portes.

Lido com essa dificuldade do ser humano de mudar de paradigmas diariamente..

Nesse ponto temos uma similitude muito grande com a MAGICKA, onde muitas pessoas trazem suas fantasias e condicionamentos e projetam em idéias e conceitos que originalmente estão distantes do sentido do "senso comum" ..

Assim algumas pessoas trabalham com o complexo conceito de Karma, com o sentido de pecado, e por aí vaí, houve apenas resignificação, não houve uma compreensão diferente, fruto de perceber uma nova realidade.

Gurdjieff alerta muito sobre isso, sobre linguagem, chega ao cuidado extremo de criar palavras e termos novos em seu ensinamento, formando as palavras para que o sentido real do que quer transmitir não seja deturpado por associações equivocadas.

DA mesma forma a quântica e a relatividade fazem parte de uma outra compreensão da realidade, e quando meramente interpretadas pelo senso comum e por paradigmas ainda newtonianos acabam deturpadas em seu real sentido.

Heisenberg nos alerta :

"O problema mais difícil no tocante a utilização da linguagem surge na teoria quântica. Aqui , não nos deparamos de início com qualquer guia simples que nos permita correlacionar os símbolos matemáticos com os conceitos da linguagem usual ; a única coisa que sabemos desde o início é o fato de que nossos conceitos comuns não podem ser aplicados a estrutura dos átomos."

Isso é muito sério, pois somos criaturas de sintaxe, descrevemos o mundo pela linguagem, externa e interna, compreendemos o mundo falando com nós mesmos e nos dizendo o que nos ensinaram que era o mundo.

MAGICKA nos permite entrar noutro conjunto de referenciais, onde teremos os mesmos problemas que os físicos de alta energia, a necessidade de um vocabulário mais amplo.

Assim, o termo quarta dimensão, o tempo, parte integrante desta realidade que já vivemos, foi equivocadamente usado por alguns místicos para descrever experiências de outras realidades, ou idéias de um "mundo espiritual para o qual nos encaminhamos" e desta confusão surgem interpretações diversas.

Como mágicko questiono se estas outras realidades, estas outras camadas da vasta cebola chamada Eternidade, estào realmente bem descritas nos tratados que temos acesso, ou investigadores e investigadoras projetaram sua sintaxe, sua imagem do mundo, em entes e eventos reais de outras realidades, mas reduziram a interpretação aos limites do senso comum.

Assim, entes diversos foram encontrados nestas outras realidades, mas muitos podem ter reduzido os mesmos a "anjos e demônios" de acordo com a relação estabelecida, da mesma forma que o contato com outra realidade, como um elétron viajante que entra em outro orbital e tenta descrever a nova realidade com base na linguagem que tinha, baseada num mundo diferente.

sexta-feira, abril 26, 2002



Faz tempo que nada me toca a alma. Ando crua, sem paixão. E as coisas vão e vem mas não fincam morada. Chegam e partem. E eu estou feito barco estacionado num ancoradouro. Solitário. Tenho meus dias de blues, onde o som é lento, compassado, como um lamento choroso de guitarra. Uma voz rouca invade o silêncio, é um sussurro ao pé da orelha, quase tocando o lóbulo.
Há alguém que fala de forma intensa nessa tela cibernética. Me diz de nasceres do sol lascivos e penetrações musicais da esperança. Ele têm força sensorial capaz de produzir as mais incendiárias imagens, desejos. Quem quiser conferir o que mais ele produz é só dar um click aí na Poétic@.
Hoje, pela manhã, encontrei no micro um bom dia especial. E vou deixar pra quem não leu esse amanhecer cinzento e luxuriante dele, que vive na Suécia:

“O dia amanheceu soturno, e com o passar das horas, a inutilidade de
quase tudo ficou eclipsada pela Esperança, que de prontidão aguardava os
acontecimentos espreitando pelo olho da fechadura do tempo.
Por trás das cortinas de fumaça que os fracassos inventam, a solidão
abaixou a calcinha para que o cansaço a penetrasse até a exaustão. E
então, para não destoar do cinza que regia a orquestra, agarrei-me à
lareira com unhas e dentes, e acariciando sensualmente com os lábios
úmidos da imaginação a todas as belas possibilidades que passeavam
insinuantes pelos meus pensamentos, dancei sozinho um tango sem música,
enquanto assinava - como se a obra prima fosse da minha autoria e
propriedade - a partitura da Sinfonia em Sol Maior que o novo dia
escrevera sobre a pele da manhã que despertava.”
Bruno Kampel
























quarta-feira, abril 24, 2002




Se soubesses
que enquanto escrevo
te afago
e enquanto afago
te beijo
e como te agarro
enquanto penso
que te tenho!...

Se soubesses
o quanto e tanto
tenho te sonhado
e em sonhos
possuído até o delírio
dirias que sim
que queres mais
e gritando exigirias
até o meu último suspiro
e eu então
matar-te-ia de prazer
e morreria de paixão
entre os nossos ais
teus quero mais
teus outra vez
e bem dentro de você
entre músculos tensos
e suores densos
fincaria raízes
para todo o sempre.

Mulher Virtual por Bruno Kampel

terça-feira, abril 23, 2002


Fomos ver The Lord of the Rings. Vejo os filmes em tempos diferentes. As pessoas ficam loucas e saem correndo pras salas de cinema.Confesso que esse também provocou vontade de sair correndo, mas por caprichos do destino isso acabou ficando em segundo plano. Sempre um outro programa pintava e me tirava da direção da estória de Tolkien.
Ouvi tantas opiniões, críticas, mas não costumo me guiar por elas. Já vi vários elogiando determinado filme e eu chego lá e é uma tremenda decepção. Bruxa de Blair foi um destes. A jornalista, brasileira, que mora na Califórnia, saiu chocada do cinema com o enredo. Eu fui ávida, crente que ia sair de lá do mesmo jeito. E não é que ao final saí com uma sensação completamente diferente? Achei o filme a maior baboseira. Um besteirol marketeiro muito bem feito pelos criadores da pseudo bruxa. Mas foi só. Nada além de uma sensação de tempo perdido e um terror bem barato.
Então, tenho um amigo que malhou a estória dos anéis.Disse que não teve 'saco' pra assistir um filme cujo protagonista tem o nome de Frodo. Pois, é. Ele nem viu tudo, acho que aturou só a primeira hora do filme. Confesso que não li nenhum dos livros de Tolkien, mas tinha enorme vontade de fazê-lo e hoje após a sessão ela cresceu. Os cenários, os personagens, deusas, bruxos ou magos, todos encantadores. A música, aquele horizonte verdejante, os pinheiros, as corridas entre os arbustos, os cavalos, os lagos. Magia. Na hora da correria, do bem contra o mal, não pude deixar de lembrar de Indiana Jones, guardada as suas diferenças, tempo cronológico, ambientação e etc.. Mas, aquelas fugas, as paredes desmoronando, homens monstrengos e fantasmas do mal surgindo do nada, acabaram provocando o flash com o passado. A tal da conexão com alguma coisa que a retina guardou.
Vi o trailler do próximo episódio e segui os passos do pequeno herói, as novas faces que aparecem na continuação dessa saga, o guerreiro Aragorn, a Senhora da Floresta. E o retorno do poderoso Gandalf. Tá na cara que ele vai surgir com mais força, para detonar o outro mago com cara de anoréxico, feito o Haiden em Mortal Kombat. Quem viver verá.
Surge a voz de Enya ecoando e as luzes se acendendo: The End.



sábado, abril 20, 2002



Resolvi estabelecer contatos perdidos, reatar o que andava precisando de um calor verdadeiro, amigo. Falamos de tantas coisas boas, coisas antigas, sensações que ficaram soltas no ar, aspectos que gostaria de discorrer. E rimos, conversamos, foi gostoso. É alguém que sempre foi querida, desde a primeira vez que a vi, com os olhos pintados de negro, vestido tomara que caia, um rosto de linhas marcantes, raro. Ela têm um ar danado, um senso de humor mordaz, uma percepção acerca dos seres que realmente é intuitiva. Há um conhecimento antigo naquele olhar. Decididamente ela têm uma alma antiga.
Os dias tem sido longos, mais do que eu gostaria. Interesso-me por thelema, visito sites, colho informações, mas acabo dispersiva. Intercalo momentos de curiosidade, busca e aprendizado. Continuo sentindo-me feito barco à deriva, com aquele cheiro de sal que impregna a maresia.
Li sobre escavações no Peru, a descoberta de um sítio arqueológico, com inúmeras múmias Incas e objetos rituais. Um cemitério milenar. Na reportagem cogitava-se o motivo de uma civilização tão avançada ter sido exterminada pelos espanhóis. Segundo a notícia, a razão mais evidente era porque possuíam armas de fogo, enquanto os Incas não conheciam a pólvora.
Descobri que Vênus, Mercúrio, Marte, Saturno e Júpiter estão alinhados e essa formação só voltará a acontecer daqui a 40 anos. Os astrônomos não explicaram o que esse aspecto pode provocar na Terra, mas eu cá com meus botões, acredito que essa conglomeração só pode interferir de alguma forma na atmosfera do planeta. Gostaria de saber o que os astrólogos pensam a respeito. Tenho que fazer uma consulta.
Falando em espaço, os cientistas descobriram que há uma autofagia entre as estrelas. Isso não ocorre em nossa galáxia, mas já marcou uma fase no universo, criando buracos negros em constelações e provocando a formação de outros desenhos no Cosmo. É um aspecto mutante estelar.
Fiz um novo amigo em Cuiabá. Mais uma vez alguém daquela terra quente. Num diálogo notívago criamos um Psicar, uma mistura de carro movido a techno, com um design psicodélico e que funcionaria também como cabine psicanalítica, sob a batuta de Freud. Ele não gosta de Jung, nem Reich e muito menos Lacan. Trocamos idéias sobre os traumas infantis, principalmente o oral. E ele acredita que quem tem trauma oral infantil beija mal. Eu já acho que beijar bem, independe do trauma que se teve em criança.
Alguém me pôs na notify list e cismou com meu nick. Achou que eu gostava da cultura védica, o que não é mesmo a minha praia. O que um apelido acaba provocando no outro. Tivemos uma conversa gostosa no primeiro dia, bem cordial. No dia seguinte, o bicho pegou e ele não suportou minhas alfinetadas. Tem dias que realmente estou com a ‘macaca’. Sou macaco de metal no horóscopo chinês e lá dizem que não há problema que o macaco não possa resolver. Os librianos também são assim.
Ainda bem.


quinta-feira, abril 18, 2002



Eu poderia mandar um email falando da saudade, do quão importante alguns amigos são e permanecem na memória da gente. É o tal do instantâneo que falei ontem, que está aí embaixo. Mas, resolvi postar aqui. Aqui é a minha casa. A Lemniscata têm essa função catártica de dizer o que penso, é por onde deixo a escrita trazer meus pensamentos, materializando-os e ajudando-me a compreender as mil idéias, sentimentos e sensações que existem aqui dentro. Tenho dias de um cinza profundo e que a solidão também se faz companheira. Vontade de deixar as coisas para trás e sair novamente por aí, sem lenço e sem documento, sem perspectivas ou planos traçados. A alma livre para voar, voar alto, voar baixo, rasante, deixar-se comandar pelas rajadas de vento sem medo de cair ou ser surpreendido por um sopro violento.
Li o Falabella agora e lembrei do que encontrei ontem no Expressões Letradas. Minha cabeça ainda está fixa no que disse e vejo que a grande teia invisível está armada: os amigos e o desconhecidos dizendo da saudade dos amigos. A sincronicidade provando seu poder abrangente e ilimitado.
Em sua crônica semanal, Falabella fala dos amigos - os espalhados em outros portos - como você mesma disse. Abaixo alguns pedaços desse mosaico poético que ele escreveu:
“ Tenho alguns amigos espalhados pelo mundo. Amigos mesmo, daqueles de muitos anos, gente que dividiu comigo os primeiros sonhos. Pois alguns desses meus eleitos resolveram reescrever sua história, torcer seus destinos e lançar novas raízes em terras estrangeiras. Tenho saudade deles e, volta e meia, algum instantâneo volta e preenche o meu dia, alheio à minha vontade. E porque ficamos longas temporadas sem qualquer encontro, olhamos para os rostos de um e de outro e descobrimos neles o passar dos anos e a história dos sonhos de cada um, como um mapa que fôssemos desenhando nas faces.
[...]
Nessas horas de silêncio, aqueles que estão longe sempre vêm. As minhas lembranças fazem uma fila longa, esperando atendimento. Acho que com a maioria das pessoas é assim. Há, é claro, aqueles que acreditam que é possível um único olhar para frente. Abrem mão do prazer que é vasculhar o passado, como um sótão de cinema, em busca das próprias preciosidades. Mas todos nós sabemos que isso é tarefa impossível. O amanhã se tempera com o ontem. E é assim que deve ser.
A tarde se foi, e as lembranças vindas, de toda parte e de toda gente que anda distante. À noite, voltando para casa, parei para uma última cerveja e joguei conversa fora com uma moça que andava por ali, à espera de um último cliente. Ela acabou me contando um pouco de sua história, com um prazer envergonhado e palavras escolhidas.Morou na Europa, andou pela Suíça, mas tinha saudades de casa. Se tivesse conhecido algum homem que a desejasse, teria ficado, ainda que com o coração partido. Mas não teve sorte e acabou voltando.A coisa por aqui anda difícil, mas é melhor do que viver com saudade martelando por dentro. Ela era bonita, às vezes, quando tombava a cabeça e apanhava os cabelos com a mão espalmada por detrás do pescoço. Falava bem, gostava do sexo e sabia que, em seu ramo, a promessa do sexo é tão importante quanto o ato, por isso toda ela era uma sedução estudada.
- Quando é que a gente conta o tempo, você sabe? – ela perguntou e, em seguida, bebeu um gole de cerveja, sem tirar os olhos de mim.
- Quando é que a gente conta o tempo? – eu perguntei de volta, sem entender aonde ela queria chegar.
- Quando se ama. A gente conta o tempo quando ama.
E não disse mais nada. Ficou pensativa, assuntou o movimento da rua, engoliu o resto de cerveja do copo, limpou a espuma que ficou nos lábios e piscou um olho maquiado, antes de partir.
Voltei para casa com a imagem daquela mulher na cabeça, descendo a ladeira dos jardins, os saltos batendo na calçada escura. Ainda agora, sentado à frente do computador, a luz brilhante da tela enchendo o quarto, penso no que ela me disse. Nostalgia é sentir a passagem das horas e chorar o dia que passa. Seguindo esse raciocínio, se os nostálgicos contam o tempo, é porque amam. Chego feliz à conclusão.
Agora é hora de ir para cama. Antes, como um ritual, vou visitar alguns amigos que estão por aí, trilhando os caminhos desse vasto mundo. Vou atender algumas lembranças que estão esperando há tempos e, depois, mandar o resto embora. Há muito o que fazer por aqui, agora. Muito trabalho. Um olho aberto para o amanhã e um outro vasculhando o que se foi, Gosto disso. E é com saudade na alma que, no final das contas, a gente avança na estrada. Saudade na alma, um gosto de beijo na boca e alguma esperança no embornal. O resto, acreditem, é excesso de bagagem”.